Dança do Cordão Africano (Amazonas)

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 3.941.613 pessoas
População Parda: 68,79 % da população
População Preta: 4,91 % da população
População Quilombola: 2.812 pessoas
População Indígena: 490.935 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Dança do Cordão Africano[editar | editar código-fonte]
A Dança do Cordão Africano é manifestação cultural típica da cidade São Paulo de Olivença, localizada na região do Alto Solimões (AM). É difícil traçar a origem precisa, mas sabe-se que a Dança é uma homenagem aos negros e africanos que desembarcaram na cidade durante o ciclo da borracha. A região fizera parte da aldeia Kambeba, localizada na fronteira tríplice que conecta Brasil, Colômbia e Peru. Até hoje de difícil acesso, suas rotas principais se dão através das águas. A cidade, abrigar o povo indígena Ticuna, o mais numeroso povo indígena da Amazônia, além dos Kokama, Kaixana e Kambeba. A região também abriga descendentes de imigrantes negros e brancos que foram para a região durante o período histórico denominado Surto da Borracha.
A Dança do Cordão Africano é uma dança cadenciada conforme o ritmo dos tambores e realizada em forma de cordão humano nas praças da cidade durante o mês de junho e julho. Cada personagem deve fazer a entrada reverenciando os tambores. São os moradores da cidade que confeccionam as vestimentas de cada personagem e compõem as músicas da Dança. A Dança, que já está na quinta geração de brincantes, é uma forma de homenagem da população local aos negros que passaram pela região durante a virada do século XIX para o XX.
No dia da apresentação, toca-se os tambores no início da tarde para avisar a população local que naquele dia específico terá a Dança do Cordão Africano. Os brincantes vão se arrumar – eles se arrumam no escuro para não serem reconhecidos -, os tambores são afinados com o calor do sol e os outros se organizam para assistir o espetáculo. Cada personagem possui uma indumentária específica que cobre toda a pessoa que está caracterizada. A regra é clara: não se pode tirar as máscaras durante a apresentação, as pessoas só descobrem quem são os dançantes quando a apresentação se encerra, gerando curiosidade, mistério e alegria para todos.
A Dança ocorre quando os tambores já estão afinados e sendo tocados. Os personagens são anunciados pelo Amo, a pessoa responsável por apitar informando aos tocadores as mudanças de ritmos. O casal de Africanos é o personagem principal e os primeiros a se apresentarem. Eles vestem máscaras de tecido preto com desenho dos olhos brancos e bocas vermelhas, trajes finos – terno, paletó e vestido longo -, e bengalas e dançam com os braços entrelaçados.
A Onça é confeccionada de talo de arumã, coberta com estopinhas e o acabamento manual de tinta. Em seu rabo há vários espinhos de mara-mara que servem para manter uma certa distância do público e deixar o cordão aberto para que todos os personagens dancem. Os Macacos são confeccionados com saca de fibra costurada à mão e carrega um ouriço de castanhas aberto no rabo, normalmente são as crianças e adolescentes que saem em bando caracterizados de Macacos.
O Curupira tem a roupa toda revestida em folhas de bacabeiras que são resistentes. Ele possui um gancho na mão posicionado na direção contrária para onde anda. O gancho é utilizado para bater no chão, fazendo com o personagem fique encurvado e serve para fazer barulhos que assustam e divertem os que assistem.
O Bicho Folharal ou Mãe do Mato é coberto por grandes folhas de palmeiras da cabeça aos pés. O personagem abençoa todos os outros ao final da apresentação quando todos já estão reunidos no cordão e dançando em roda com os braços entrelaçados.
Há outros personagens que foram inseridos pela terceira geração de brincantes, como o Marinheiro – que representa os que chegavam à região -, e Ana Rita – que representa a beleza da região pela qual o Marinheiro se apaixona.
Os tocadores tentam reproduzir sons já conhecidos desde as primeiras gerações de brincantes: eles reproduzem os ritmos trazidos por negros que ali fizeram morada e, também, os sons de animais presentes na região. O público é composto por indígenas, negros, brancos, peruanos, crianças, adultos e idosos.
Em suma, a Dança do Cordão Africano representa como um povo diverso se propôs a celebrar sua própria diversidade através da cultura. A Dança representa a memória e histórias que são passadas de geração em geração, além de evidenciar o cuidado com a natureza.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o mini-documentário Conheça a Dança do Cordão do Africano de São Paulo de Olivença produzido pela Secretária de Cultura do Amazonas: https://www.youtube.com/watch?v=S4J9lh-NVR0&ab_channel=CulturadoAM
Fonte[editar | editar código-fonte]
"Por trás da máscara nós sempre dançamos": Etnografia da etnicidade e territorialidade em São Paulo de Olivença (AM) - Kirna Karoleni VItor Gomes: https://tede.ufam.edu.br/bitstream/tede/8018/11/Disserta%c3%a7%c3%a3o_%20KirnaGomes_PPGAS.pdf