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== Barbadianos em Rondônia == Barbadiano é o nome genérico dado aos milhares de afro-antilhanos que migraram para o norte do Brasil como trabalhadores de empresas estrangeiras, normalmente inglesas, responsáveis pelas construções de ferrovias durante o que ficou conhecido como Ciclo da Borracha. Inúmeras famílias da ilha de Barbados se alocaram na capital de Rondônia, Porto Velho, para trabalharem na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré (1907 – 1912). Tal estrada também demarca a criação de Porto Velho, fundada em 1907. Nesse sentido, a migração dos barbadianos é fundamental para cidade e região. [[Arquivo:BRB orthographic.svg.png|miniaturadaimagem|Localização de Barbados]] O aumento do cultivo e extração do da borracha esteve presente em diferentes partes do mundo pois seu produto era matéria-prima essencial no processo de colonização e industrialização no final do século XIX. Um desses países foi a Bolívia. Todavia, ela não possuía caminhos que chegassem aos oceanos, sobretudo o Atlântico, de maneira que pudesse exportar seus produtos. O Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição firmados entre Brasil e Bolívia (1867) deu esperança para sua chegada ao Atlântico por meio da estrada. Inúmeras tentativas de utilização de portos e construção de malhas de ferro foram em vão. A floresta amazônica fora o que mais dificultou esse projeto de colonização: malária, disenteria, pneumonia, inúmeras mortes de trabalhadores marcaram essa tentativa. [[Arquivo:1200px-Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho - RO.jpg|miniaturadaimagem|Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho]] Somente com o Tratado de Petrópolis, em 1903, fora decidido que o Brasil seria responsável pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (E.F.M.M.), realizada pela empresa inglesa May, Jekyll & Randolph que reiniciou a construção em 1907. Quase meio século depois, a Bolívia tivera acesso ao oceano, mas quem controlava a exportação da borracha amazônica era a Grã-Bretanha. Para se ter uma noção do processo, o país foi responsável pelo roubo e tráfico de inúmeras sementes e mudas de seringueiras que foram enviadas para a Ásia que, entre 1913 e 1918, durante o declínio da produção e extração no Brasil, passou a produzir mais quatrocentas toneladas de borracha ao ano. Para a construção da ferrovia, chegaram pessoas de inúmeros países, mas o maior número foi o de Barbados, um dos únicos grupos que puderam migrar com os familiares. Com o fim da escravização nas colônias britânicas, inúmeros afro-antilhanos migraram. No caso dos Barbadianos, eles foram cogitados para a essa região por terem como língua oficial o inglês – importante pois todos os manuais e expertise eram comunicados nesse idioma – e por já terem experiência na construção de ferrovias. Todavia, eles não trouxeram apenas a força de trabalho, mas também culturas e formas de estarem no mundo. Uma das contribuições principais dos barbadianos é referente à educação: a primeira escola criada na cidade foi criada por eles para seus filhos. A alfabetização das crianças era realizada pelas mulheres e mães da comunidade. Na escola, se aprendia em inglês e os materiais didáticos eram trazidos da Grã-Bretanha. Essa primeira escola não possuía prédio específico e as aulas ocorriam nas casas e quintais e no galpão da E.F.M.M.. Inúmeras de suas descendentes atuaram e ainda atuam na área da educação: na primeira escola pública da cidade, inúmeras trabalharam como professoras, assim como na estruturação do ensino médio e superior. A religião também fora algo importante: devido à colonização britânica, maioria das famílias eram protestantes. Eles foram um dos responsáveis por criar a comunidade evangélica de Porto Velho. Nas igrejas, eles ocupavam os corais e tocavam, devido suas experiências anteriores. E, por fim, a primeira enfermeira da cidade foi a barbadiana Lucinda Shockness. Em suma, é possível observar a contribuição de matriz africana em Porto Velho de maneira específica. Os Barbadianos são figuras fundamentais para entender a cidade e a construção de um país marcado pelo encontro de diferentes diásporas africanas.
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