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Nego Bispo (Piauí)
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== Nego Bispo == Antônio Bispo dos Santos (1959 – 2023), mais conhecido como Nego Bispo, intelectual quilombola e ativista político nascido no vale do Rio Berlengas, Francinópolis, Piauí. Filósofo, professor, escritor, líder quilombola e ativista político, Bispo foi o primeiro de sua família a ser alfabetizado. Em entrevista, ele afirma que aprendeu a ler rápido e, logo, toda a comunidade passa a incentivá-lo nos estudos. Com o apoio, ele se torna o tradutor da comunidade, utilizando a oralidade da comunidade para tradução das “escrituras”. Com a maioridade, ele vai ao Rio de Janeiro e passa cinco anos na cidade. No entanto, ele retorna para sua comunidade porque, com o fim da ditadura cívico-militar (1964 – 1985) e a escrita da Constituição Cidadã, ele ajudaria na demarcação de terras. Segundo Bispo, era hora de ajudar todos que o ajudaram quando ele estava na escola. É nesse mesmo período que ele passa a ir ao Sindicato de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Francinópolis. O Art. 68 da Constituição garante o reconhecido das comunidades quilombolas ocupadas pelos remanescentes dos quilombos. Nesse sentido, o Estado deve emitir os títulos de reconhecimento da propriedade definitiva. Apesar do Artigo, em 2021, apenas 162 das 3477 comunidades quilombolas reconhecidas tinham seus títulos. [[Arquivo:1200px-Aula Magna e Ato em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e Quilombolas (35735496124).jpg|miniaturadaimagem|Aula Magna e Ato em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas e Quilombolas]] Seu ativismo vai além de sua comunidade, é no Movimento Sindical que ele traz o debate quilombola: é necessário entender e lutar por um mundo que não seja dividido apenas pela ‘classe’ ou pelo trabalho. A tradição cultural e social de matriz africana evidencia que a natureza nos oferece tudo que dá e, por isso, importância da diversidade e do respeito às formas de ver e ser no mundo e a dignidade dos seres humanos e da natureza. Suas ideias não são aceitas e, por isso, ele migra seu ativismo para a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), na década de 1990. Na CONAQ, ele participou da coordenação de mais de 15 demarcações de terras. Além disso, ele participou coordenação dos inventários dos Sambas, do Tambor de Crioula e do Jucá da Volta no estado do Piauí. Em outras palavras, Bispo coordenou a inclusão de práticas culturais de matriz africana no Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) do IPHAN. Nego Bispo é autor dos seguintes livros: ''Quilombos, modos e significados'' (2007), ''Colonização, Quilombos: modos e significados'' (2015) e ''A terra dá, a terra quer'' (2023). Em suas obras, ele argumenta que a “confluência” é um movimento de compartilhamento, reconhecimento e respeito e que os povos quilombolas são povos de trajetórias confluentes com início, meio e início, ou seja, com lutas, culturas e histórias que não acabam.
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