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Autor: Muryatan S. Barbosa Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982), nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia, foi um importante sociólogo, filósofo e político brasileiro. Filho de uma família de fazendeiros de cacau, ele carregava uma rica herança étnica que incluía raízes africanas, indígenas e portuguesas. Desde cedo, viveu em diversas cidades da região do rio São Francisco, até que, após a morte de seu pai, mudou-se com a mãe para Salvador. Lá, ajudou no sustento da família trabalhando em uma farmácia e, incentivado pela mãe, dedicou-se intensamente aos estudos. Ainda jovem, ele frequentava o Mosteiro de São Bento e tinha grande interesse em filosofia e literatura, especialmente a de autores europeus como Jacques Maritain, Max Scheler e Rainer Maria Rilke. Esse gosto pelo pensamento humanista e existencialista influenciou muito sua obra futura. Com o início do Estado Novo, foi nomeado assessor no Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (Deip) e colaborou na fundação da Faculdade de Filosofia da Bahia, onde publicou seus primeiros textos e livros. Em 1939, recebeu uma bolsa para estudar no Rio de Janeiro, formando-se em Ciências Sociais e, mais tarde, em Direito. Como pensador e intelectual negro, Guerreiro Ramos destacou-se por sua visão crítica e inovadora, atuando em diversos órgãos governamentais e projetos sociais entre os anos 1940 e 1960. Trabalhou no Departamento Nacional da Criança (DNC), no Departamento do Serviço Público (Dasp) e foi assessor no Conselho de Desenvolvimento e na Casa Civil durante o governo Vargas. Ele também esteve envolvido com o Teatro Experimental do Negro (TEN), de Abdias Nascimento, e foi membro fundador do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Mais tarde, tornou-se professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Essas experiências moldaram seu compromisso com questões sociais urgentes no Brasil, como mortalidade infantil, pobreza, racismo, desenvolvimento econômico e industrialização. Para Guerreiro Ramos, os intelectuais deveriam estar profundamente engajados na transformação social, especialmente em um país em desenvolvimento. Nos anos 1960, Guerreiro Ramos consolidou sua reputação como um pensador influente, publicando obras essenciais para a compreensão da sociedade brasileira, como ''Introdução Crítica à Sociologia Brasileira'' (1957), ''Redução Sociológica'' (1958) e ''O Problema Nacional do Brasil'' (1960). Em 1961, foi delegado do Brasil na ONU e, como deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), viajou por diversos países, incluindo China e Iugoslávia, onde se encontrou com líderes como Mao Tsé-Tung e o marechal Tito. No campo dos estudos étnico-raciais, Guerreiro Ramos foi pioneiro, escrevendo textos que abordavam a questão racial no Brasil de uma perspectiva crítica e inovadora. Dentre seus trabalhos mais marcantes, destacam-se: ''Um Herói da Negritude'' (1952), ''O Problema do Negro na Sociologia Brasileira'' (1954) e ''Patologia Social do Branco Brasileiro'' (1955). Suas ideias sobre a identidade negra, o psicodrama como método antirracista, e sua crítica ao eurocentrismo foram referências para estudos posteriores sobre a questão racial no Brasil. Com o golpe militar de 1964, Guerreiro Ramos teve seu mandato cassado e exilou-se nos Estados Unidos, onde se tornou professor na Universidade do Sul da Califórnia. Lá, continuou a produzir pesquisas e publicações, com destaque para ''A Nova Ciência das Organizações: Uma Reconsideração da Riqueza das Nações'' (1981), onde explorou temas de administração e desenvolvimento sob uma perspectiva crítica. Ele morreu de câncer em 1982, pouco antes de seu planejado retorno ao Brasil. A obra e o legado de Guerreiro Ramos permanecem relevantes no campo da sociologia brasileira, especialmente em questões ligadas ao racismo, identidade e desenvolvimento social. Suas contribuições são fundamentais para o entendimento das dinâmicas sociais e políticas do Brasil do século XX e continuam a inspirar estudos e debates até hoje.
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