Ir para o conteúdo
Menu principal
Menu principal
mover para a barra lateral
Esconder
Navegação
Página principal
Mudanças recentes
Página aleatória
Ajuda do MediaWiki
Diaspedia
Pesquisa
Pesquisar
Crie uma conta
Entrar
Ferramentas pessoais
Crie uma conta
Entrar
Páginas para editores conectados
saiba mais
Contribuições
Discussão
Editando
Decolonialidade
Página
Discussão
português do Brasil
Ler
Editar
Editar código-fonte
Ver histórico
Ferramentas
Ferramentas
mover para a barra lateral
Esconder
Ações
Ler
Editar
Editar código-fonte
Ver histórico
Geral
Páginas afluentes
Mudanças relacionadas
Páginas especiais
Informações da página
Aviso:
Você não está conectado. Seu endereço IP será visível publicamente se você fizer alguma edição. Se você
fizer login
ou
criar uma conta
, suas edições serão atribuídas ao seu nome de usuário, juntamente com outros benefícios.
Verificação contra spam.
Não
preencha isto!
Autoras(res): Érica Aparecida Kawakami; Fulvio Cesar Garcia-Severino; Cinthia de Cassia Catoia O conceito de decolonialidade tem sido amplamente utilizado por pensadores, artistas e ativistas desde os anos 1990, especialmente por Aníbal Quijano e Immanuel Wallerstein. Eles buscavam superar alguns pontos limitantes da crítica pós-colonial, que ainda dividia a análise em categorias como economia e discurso, e sujeito e estrutura. O grupo de estudiosos, conhecido como modernidade/colonialidade, queria evidenciar que a dominação econômica do Norte sobre o Sul também é fundamentada em uma estrutura étnico-racial de longa duração (Castro-Gómez, 2005). Para eles, a cultura está sempre ligada aos processos políticos e econômicos (Castro-Gómez; Grosfoguel, 2007). A obra ''El giro decolonial'' (2007) ajuda a entender a decolonialidade como uma resistência teórica e prática à modernidade/colonialidade, construída a partir das vivências dos movimentos sociais. Na América Latina, pensadores como Quijano, Wallerstein, Sylvia Wynter, Walter Mignolo, Santiago Castro-Gómez e outros, têm abordado a forma como a modernidade e a colonialidade se interligam, revelando as marcas do colonialismo na sociedade até hoje. No livro ''La americanidad como concepto'', Quijano e Wallerstein (1992) analisam a história da modernidade por meio do colonialismo, desafiando a visão racializada de desenvolvimento e civilização ligada à modernidade, e mostrando seu lado oculto. Maldonado-Torres (2018) ressalta que a decolonialidade se foca na "colonialidade", entendida como uma lógica de desumanização, que persiste mesmo sem colônias formais. Essa lógica começou com a “descoberta” do Novo Mundo e com a escravidão, e a decolonialidade busca combater seus efeitos em várias áreas. A colonialidade refere-se à imposição de uma hierarquia entre pessoas, lugares e formas de conhecimento. Fanon (1983) já havia apontado que, com o colonialismo, foram definidas as formas de existir, pensar, sentir, falar e produzir conhecimento, baseadas em categorias como raça, cor e tempo. Essas representações continuam a operar, por exemplo, na economia, na política e na produção de conhecimento, reforçando estereótipos e discriminação racial. Castro-Gómez, por sua vez, distingue três dimensões da colonialidade: saber, poder e ser. A colonialidade do poder, ampliada a partir de Foucault, mostra que as estruturas de poder não estão apenas localizadas nos Estados, mas em uma escala global, moldada pela relação colonial entre centros e periferias (2005). Quijano (1992) explica que a colonialidade do poder envolve também a dominação dos imaginários, reprimindo formas de pensar, simbolizar e conhecer. A colonialidade do ser, de acordo com Castro-Gómez (2007), refere-se aos impactos das experiências coloniais na atualidade, como nos efeitos que essas experiências têm sobre a linguagem e as relações sociais. Maldonado-Torres (2007) critica a lógica colonial, que desclassifica certos povos como não-humanos, ou menos dignos de existir. Nesse sentido, a decolonialidade expõe como o capitalismo, desde a sua origem, racializou tanto a exploração da natureza quanto das pessoas. Mignolo (2017) critica a Revolução Industrial por transformar a natureza em "recursos naturais", que começaram a ser explorados com o objetivo de dominação. Ele argumenta que, ao mesmo tempo, há uma tendência a consumir subjetividades, ou seja, a transformar formas de ser e de viver em objetos a serem explorados. Além disso, a própria ideia de humanidade foi moldada pela colonialidade, criando um "clube" seleto que limita as possibilidades de criação, liberdade e existência para muitos. Isso alimenta o que Krenak (2020) chama de "mito da sustentabilidade", pois existe uma ideia de separação entre natureza e humanidade, que, na verdade, serve para criar ideologias e fetiches civilizatórios. Para repensar a decolonialidade a partir das cosmovisões indígenas, é preciso desafiar a primazia do humano e a dicotomia entre humanidade e natureza. A ideia de ser deve se expandir para incluir a natureza e seres não-humanos, como animais, plantas, minerais e até elementos espirituais, mostrando que a vida está interconectada. Edgardo Lander (2000) critica a colonialidade epistêmica, que converte o conhecimento em uma referência universal, baseado nas experiências europeias. A ideia de que o conhecimento europeu é legítimo e superior acabou moldando como entendemos história, ciência, leis e normas. O colonialismo na América não só organizou o mundo, mas também influenciou profundamente a forma como pensamos e nos lembramos das nossas origens. Para agir de forma decolonial, é necessário considerar outras formas de conhecimento e pensamento, sem as categorias eurocêntricas que continuam a racializar os corpos e os lugares de produção de conhecimento. O projeto decolonial não se limita apenas a combater as injustiças enfrentadas pelas populações marginalizadas, mas também revela como toda a humanidade é afetada por estratégias sutis de colonização das subjetividades. A atitude decolonial, como propõe Maldonado-Torres (2018), é essencial, pois visa romper com os privilégios da brancura e da eurocentralidade. Contudo, ainda há uma lacuna importante, que é a falta de uma análise aprofundada sobre o impacto do gênero na colonialidade. Ochy Curiel (2011) defende que a descolonização do saber e do poder não é apenas uma questão de metodologia ou epistemologia, mas uma exigência política, que envolve analisar as políticas globais e locais que afetam sujeitos racializados e sem privilégios. Ela destaca que a decolonialidade precisa ser aplicada nas diversas formas de opressão, e não está livre de limitações, especialmente no contexto latino-americano. Maria Lugones (2007) também critica a falta de uma análise de gênero nos primeiros estudos decoloniais, e propõe o conceito de colonialidade de gênero. Ela argumenta que, além da raça, o sexo/gênero deve ser considerado como uma categoria colonial, responsável por organizar a hierarquia entre humanos e não-humanos, e que o sexismo e a heteronormatividade são formas de poder que se entrelaçam com o racismo e que ainda operam nas dinâmicas sociais contemporâneas. A combinação dos conceitos de diáspora africana e decolonialidade oferece uma nova perspectiva sobre as experiências de deslocamento, desterritorialização e a formação de identidades e memórias transnacionais. O projeto decolonial propõe uma ruptura com as categorias e normas coloniais que sustentam a dominação racial e patriarcal, criando novas narrativas que aceitam as vidas e histórias que não cabem nas narrativas lineares e evolutivas do sistema-mundo moderno/colonial. Por fim, o projeto decolonial é visto como uma resistência coletiva às formas históricas de imperialismo e colonialismo, que têm causado miséria, deslocamentos e mortes. Maldonado-Torres (2018) enxerga a decolonialidade como uma ação coletiva, onde os marginalizados podem lutar para mudar o mundo e promover uma nova forma de existência.
Resumo da edição:
Por favor, note que todas as suas contribuições em Diaspedia podem ser editadas, alteradas ou removidas por outros contribuidores. Se você não deseja que o seu texto seja inexoravelmente editado, não o envie.
Você está, ao mesmo tempo, a garantir-nos que isto é algo escrito por si, ou algo copiado de alguma fonte de textos em domínio público ou similarmente de teor livre (veja
Diaspedia:Direitos de autor
para detalhes).
NÃO ENVIE TRABALHO PROTEGIDO POR DIREITOS DE AUTOR SEM A DEVIDA PERMISSÃO!
Cancelar
Ajuda de edição
(abre numa nova janela)
Alternar a largura de conteúdo limitada