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Autor: Natalino Neves da Silva Luiz Alberto Oliveira Gonçalves, nascido em Santos, São Paulo, em 8 de janeiro de 1952, é um importante sociólogo, militante e intelectual brasileiro. Filho de Alberto Gonçalves e Luizete de Oliveira Gonçalves, ele e seu irmão foram criados, em grande parte, por sua avó materna. Sua mãe era cabeleireira e seu pai funcionava na Associação dos Empregados da Companhia Docas de Santos. Desde jovem, Luiz se envolveu com a militância negra, influenciado pela sua família durante o regime da ditadura militar. Um momento importante de sua adolescência foi a fundação do Clube Recreativo Negro "Itamaraty" em Santos, que se tornou um espaço para discutir desigualdades raciais e promover atividades culturais. Foi nesse ambiente que ele conheceu o escritor e poeta Luiz Silva, o Cuti, com quem manteve amizade por toda a vida. Formado em Sociologia pelo Instituto de Ensino Superior de São Caetano do Sul, Luiz teve uma trajetória acadêmica e militante significativa, sendo essencial na consolidação da luta do movimento negro mineiro e brasileiro. Sua experiência como diretor do Campus Avançado do Vale do Jequitinhonha, em Araçuaí, no final dos anos 1970, foi fundamental para sua formação crítica e humanizada, especialmente no âmbito da educação antirracista. Sua pesquisa de mestrado, pioneira na época, investigou a discriminação racial nas escolas públicas, questionando como o movimento negro poderia agir para combater esse problema. Esse trabalho se tornou referência e foi o primeiro sobre educação e relações étnico-raciais defendido no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMG. Suas reflexões foram compartilhadas em 1986, no seminário "O Negro e a Educação", que mapeou o campo das relações étnico-raciais na educação. Em 1987, como chefe do Departamento do Instituto de Recursos Humanos João Pinheiro, Luiz coordenou o seminário "Educação e Discriminação dos Negros" em Belo Horizonte, propondo uma abordagem democrática e participativa para eliminar o racismo no sistema escolar. Como resultado, foi assinado um Protocolo de Intenções entre o Ministério da Educação e representantes do movimento negro, visando erradicar o preconceito racial nos livros didáticos. Ao longo de sua vida, Luiz Alberto dedicou-se ao combate ao racismo, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Sua tese de doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, sob orientação de Alain Touraine, focou no movimento negro brasileiro. Após retornar ao Brasil, ele ajudou a formar novas gerações de pesquisadores negros e não negros. Sua parceria com a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva foi fundamental na criação de ações afirmativas na graduação e pós-graduação. Entre suas contribuições para a equidade racial, destacam-se a sua participação na implementação do Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford, a criação do Grupo de Trabalho 21 da Anped sobre "Negro e Educação" e a coordenação do Programa Ações Afirmativas na UFMG. Ele também contribuiu para a criação do Mestrado e Doutorado Interinstitucional com a Universidade 11 de novembro, de Cabinda/Angola, e foi Secretário Executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). Luiz Alberto também foi membro do Comitê Científico do Observatório Europeu da Violência Escolar, na França, e conselheiro do Fundo para Equidade Racial Baobá. Sua atuação intelectual e militante deixou uma marca duradoura na luta antirracista no Brasil, sendo fundamental para o desenvolvimento da área de educação das relações étnico-raciais no país.
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