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Oliveira Silveira - Rio Grande do Sul
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[[Arquivo:Rio Grande do Sul in Brasilien.png|miniaturadaimagem|Rio Grande do Sul]] == Composição da população não-branca do estado == População Total: '''10.882.965''' pessoas População Parda: '''14,67'''% da população População Preta: '''6,52'''% da população População Quilombola: '''17.552''' pessoas População Indígena: '''36.102 pessoas''' Fonte: IBGE 2022 == Oliveira Silveira == [[Arquivo:Oliveira Silveira.jpg|miniaturadaimagem|Oliveira Silveira]] Oliveira Ferreira da Silveira (1941-2009), mais conhecido como Oliveira Silveira, foi poeta, intelectual e militante negro brasileiro. Nascido em Rosário do Sul no estado do Rio Grande do Sul, inicia seus estudos em casa pois no mesmo sítio que morava havia uma professora. Mais tarde, passa a morar na região central da cidade para frequentar o ginásio. Durante essa época, torna-se locutor da Rádio Marajá e passa a publicar poemas no jornal Correio do Rosário do Sul. Muda-se para Porto Alegre para continuar seus estudos e passa a morar na Casa de Estudante da Juventude Universitária Católica (JUC). Tanto o colégio e sua nova residência, assim como as mudanças políticas do país, tiveram enorme importância em sua formação e atuação política e em 1960, ele ingressa no curso de letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É na universidade que ele toma consciência racial. Durante sua formação acadêmica, ele conhece o movimento político-literário ''Negritude''. Tal movimento tem como base a luta contra o colonialismo europeu e pela libertação do continente africano. O movimento também lutava pela valorização cultural de África. Ele também foi influenciado pelas lutas por direitos civis nos Estados Unidos e seus artistas negros como Langston Hughes, Martin Luther King e outros. Sua trajetória política e artística evidencia algo muito claro entre as comunidades negras: as lutas e a cultura estão além das fronteiras e se conectam através das experiências racistas e luta por um mundo onde a diversidade e equidade sejam respeitadas. Um de seus poemas mais conhecidos é o ''Treze de Maio'':<blockquote>Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão Liberdade de asas quebradas como ........ este verso. Liberdade asa sem corpo: sufoca no ar, se afoga no mar. Treze de maio – já dia 14 o Y da encruzilhada: seguir banzar voltar? Treze de maio – já dia 14 a resposta gritante: pedir servir calar. Os brancos não fizeram mais que meia obrigação O que fomos de adubo o que fomos de sola o que fomos de burros cargueiros o que fomos de resto o que fomos de pasto senzala porão e chiqueiro nem com pergaminho nem pena de ninho nem cofre de couro nem com lei de ouro. O que fomos de seiva .......................de base ..................... de Atlas o que fomos de vida .......................e luz chama negra em treva branca .......................quem sabe só com isto: que o que temos nós lutamos para sobreviver e também somos esta pátria em nós ela está plantada nela crispamos raízes de enxerto mas sentimos e mutuamente arraigamos ....quem sabe só com isto: que ela é nossa também, sem favor, e sem pedir respiramos seu ar ....a largos narizes livres bebemos à vontade de suas fontes ... a grossas beiçadas fartas tapamos-destapamos horizontes ....com a persiana graúda das pálpebras escutamos seu baita coração ....com nosso ouvido musical e com nossa mão gigante batucamos no seu mapa ....quem sabe nem com isso e então vamos rasgar a máscara do treze para arrancar a dívida real com nossas próprias mãos. </blockquote>No poema, ele critica a data e evidencia as lutas e sofrimentos constantes da população negra no passado e no presente. Devido suas críticas à data, Oliveira Silveira é conhecido como uma das vozes pela luta de transformar o dia 20 de Novembro, morte do líder Zumbi do Quilombo dos Palmeiras, no Dia da Consciência Negra que, em 2023, se tornou feriado nacional. O poeta também ficou conhecido pelo uso da identidade ''afro-gaúcha'', evidenciando que no estado a narrativa tratou de apagar as contribuições e lutas do povo negro das histórias oficiais, como se o Rio Grande do Sul fosse unicamente branco e com descendência europeia. <blockquote> '''Você Sabia?''' Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros e casas de Axé do Brasil. São mais de 250. Os terreiros e casas de Axé além de dar acalanto espiritual para a população, é local de preservação das culturas africanas.</blockquote> == '''Recomendação''' == Assista a reportagem ''Programa Literatura Negra'' em homenagem a Oliveira Silveira produzida pela TVE RS: Nação | TVE: https://www.youtube.com/watch?v=R9Y1bxngh-Q&t=2s == '''Fontes''' == O afro-gaúcho Oliveira Silveira, o poeta da consciência negra - Geledés: https://www.geledes.org.br/o-afro-gaucho-oliveira-silveira-o-poeta-da-consciencia-negra/ Vista do INTELECTUAL NEGRO NO SUL: A TRAJETÓRIA DE OLIVEIRA SILVEIRA (LEPAARQ - UFPEL): https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/lepaarq/article/view/3772
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