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	<title>Coletivos Estudantis Negros - Histórico de revisão</title>
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	<subtitle>Histórico de revisões para esta página neste wiki</subtitle>
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		<title>Hasani: Criou página com &#039;Autora: Luana Ribeiro da Trindade  Nos dicionários de língua portuguesa, como Michaelis, Priberam, Aulete e outros, a palavra &quot;coletivo&quot; é definida como um adjetivo, que significa o que abrange muitas coisas ou pessoas; característico de um grupo; e que pertence a um povo, uma classe, etc. Como substantivo indica várias pessoas, coisas ou animais.  O que define um agrupamento como coletivo é o fato de ser formado por um grupo de pessoas que se juntam por um objetiv...&#039;</title>
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		<updated>2025-07-09T18:39:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Criou página com &amp;#039;Autora: Luana Ribeiro da Trindade  Nos dicionários de língua portuguesa, como Michaelis, Priberam, Aulete e outros, a palavra &amp;quot;coletivo&amp;quot; é definida como um adjetivo, que significa o que abrange muitas coisas ou pessoas; característico de um grupo; e que pertence a um povo, uma classe, etc. Como substantivo indica várias pessoas, coisas ou animais.  O que define um agrupamento como coletivo é o fato de ser formado por um grupo de pessoas que se juntam por um objetiv...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Página nova&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Autora: Luana Ribeiro da Trindade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dicionários de língua portuguesa, como Michaelis, Priberam, Aulete e outros, a palavra &amp;quot;coletivo&amp;quot; é definida como um adjetivo, que significa o que abrange muitas coisas ou pessoas; característico de um grupo; e que pertence a um povo, uma classe, etc. Como substantivo indica várias pessoas, coisas ou animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que define um agrupamento como coletivo é o fato de ser formado por um grupo de pessoas que se juntam por um objetivo comum, seja por questões sociais, políticas, culturais, artísticas, e assim por diante. A forma de organização dos coletivos é muito variada, com características próprias, apresentando demandas múltiplas e dinâmicas, relacionadas ao contexto social e político. No caso dos coletivos estudantis, esses são formados por alunos envolvidos com sua realidade, seja na escola, universidade ou instituição educacional à qual estão ligados, com ações geralmente focadas na defesa e garantia dos direitos estudantis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, os coletivos de estudantes negros podem ser definidos como uma forma de organização própria, formada por jovens que realizam sua ação política em torno da identidade negra, conectados a outras questões como classe, etnia, gênero, sexualidade, entre outras, criando pontos de diferenciação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É um espaço coletivo diaspórico (real ou imaginário), ou seja, que ultrapassa as perspectivas locais, regionais ou nacionais sobre como a cultura é entendida. A metáfora do &amp;quot;atlântico negro&amp;quot;, de Paul Gilroy (2012), é importante nesse debate, pois explica as estruturas internacionais que se desenvolvem e se conectam em um sistema de comunicação global formado por fluxos de pessoas, imagens e símbolos negros pelos mais diversos pontos, que são redefinidos conforme os contextos culturais locais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conceito de diáspora abre espaço para uma nova narrativa que nos forma enquanto indivíduos e grupo, permitindo a compreensão das novas identidades e o reconhecimento da diversidade dentro da unidade. A diáspora desafia a ideia de identidades fixas e imutáveis, sendo incompatível com o pensamento nacionalista e racialista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à estrutura organizacional, os coletivos de estudantes negros podem ser entendidos como um espaço de diálogo, troca, reconexão com a ancestralidade, resistência, fortalecimento, afeto, acolhimento, (re)construção de identidade e produção de novas formas de expressão corporal e estética. Têm como princípios: a autonomia/independência – não se institucionalizam, sendo que alguns existem por um período curto de tempo e desaparecem depois; a horizontalidade – não há presidente, diretoria, coordenação, liderança ou chefia; e a participação – no encontro com o coletivo, a pessoa vai se descobrindo e sentindo-se confortável ou não para assumir uma tarefa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas que fazem parte do coletivo buscam um espaço comum, dinâmico e flexível, que envolva várias pautas, sem divisões e com direito a auto-organização, permitindo novas experiências e práticas de ação. Nas universidades, essas características se destacam, por exemplo, em relação aos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEABs), criados nos anos 1980/1990, dedicados a pesquisas e projetos voltados para a população negra dentro e fora da universidade, e com os grupos de estudos, pesquisa e extensão que também tratam das questões raciais e temas relacionados à educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É consenso na literatura de autores como Gohn (2017), Perez; Souza (2017) e Maia (2013) que se identificar como coletivo é marcar uma diferença, especialmente com outras formas de organização, como partidos políticos, associações, Organizações Não Governamentais (ONGs), movimentos juvenis, movimentos estudantis (Centro Acadêmico - CA, Diretório Central de Estudantes - DCE e Associação de Pós-Graduandos - APG). Esses eram os únicos espaços de expressão e organização política de estudantes até então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas universidades públicas estaduais e federais no Brasil, esses coletivos ganharam importância, principalmente, após a criação da Lei n.º 12.711 de 29 de agosto de 2012 (conhecida como Lei de cotas), que garante vagas para estudantes autodeclarados pretos, pardos, indígenas e oriundos da escola pública. Eles se inserem dentro das várias formas de organizações negras, como os movimentos sociais, organizações de base, manifestações culturais, entre outras. Alguns exemplos importantes são a Frente Negra Brasileira (FNB), o Teatro Experimental do Negro (TEN), o Movimento Negro Unificado (MNU) e, a partir da década de 1990, os cursinhos populares pré-vestibular – como o Instituto Cultural Beneficente Steve Biko (1992) e a EDUCAFRO (1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os estudantes negros, principalmente ao ingressarem na universidade, começam a sentir que não pertencem, que não encontram pessoas semelhantes e que o ambiente universitário ainda mantém práticas elitistas e atitudes racistas e eurocêntricas. Isso faz com que questionem o funcionamento da instituição, com o objetivo de mudar essa estrutura conservadora. Eles buscam formas de organização e resistência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tecnologia de comunicação facilita a organização desses coletivos, permitindo agregar mais membros, comunicar-se e articular com outros coletivos e organizações negras. Seja pelas redes sociais ou presencialmente, buscam melhorar as condições de acesso e permanência, lutar contra o racismo e discutir diferentes demandas e situações que afetam os estudantes negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os coletivos de estudantes negros costumam adotar como identidade visual símbolos da história e cultura negra, como o punho cerrado, o mapa da África, estampas, cores e figuras que remetem ao continente africano, além de imagens de mulheres e/ou homens negros. Muitas vezes, usam também nomes de líderes ou figuras históricas da luta negra brasileira (ou afro-diaspórica), ou de outras organizações negras do passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o uso do termo &amp;quot;coletivo&amp;quot;, temos, no contexto norte-americano, o exemplo do Combahee River Collective (Coletivo Rio Combahee), criado em 1974, que marcou o começo da formação autônoma do movimento feminista negro. As fundadoras, como Angela Davis, publicaram em 1977 o &amp;quot;Combahee River Collective Statement&amp;quot; (Declaração do Coletivo Rio Combahee), tornando-se uma referência importante na luta contra a opressão racial, sexual, heterossexual e de classe (Pereira; Gomes, 2019, p. 198). Também podemos citar os movimentos feministas franceses na década de 1960/1970, como os representados pelos escritos de Simone de Beauvoir. Outra referência pode ser encontrada nos movimentos culturais da França e do Brasil, na mesma época, quando algumas pessoas (artistas ou não) se organizavam para criar ações artísticas fora dos espaços culturais tradicionais, formando coletivos, mesmo sem usar o termo, para levar a arte não só como cultura, mas também como uma forma de discutir questões sociais e políticas da época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, o uso do termo &amp;quot;coletivo&amp;quot; acompanhou a criação do Nzinga – Coletivo de Mulheres Negras, em 1983, no Rio de Janeiro, fundado por Lélia Gonzalez. Foi por meio dessa organização que o termo &amp;quot;coletivo&amp;quot; foi usado pela primeira vez no Brasil e, a partir dali, passou a ser adotado pelas organizações femininas negras daquela época. Seguindo as estratégias dos movimentos feministas e negros, mas se diferenciando por ser uma ação coletiva menos institucionalizada e com maior horizontalidade na forma de organização, além de reunir demandas da classe econômica mais vulnerável, as mulheres negras brasileiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resgatando as referências das organizações do passado, essa forma de organização política coletiva vai além das estratégias de resistência, trazendo também um movimento no campo político, cultural, estético e subjetivo, que expressa práticas e ações coletivas insurgentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Bibliografia:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GILROY, Paul. Atlântico negro: modernidade dupla consciência. São Paulo: Editora 34, Universidade Candido Mendes, Centro de Estudos Afro-Asiaticos, 2012 (2° edição).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
GOHN, Maria da Glória Marcondes. Manifestações e protestos no Brasil: correntes e contracorrentes na atualidade. v. 59. São Paulo: Cortez, 2017 (Coleção questões da nossa época).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
MAIA, Greta Leite. A juventude e os Coletivos: como se articulam novas formas de expressão política. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM, Santa Maria, vol. 8, n. 1, p. 58-73, 2013. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://periodicos.ufsm.br/revistadireito/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; article/view/8630. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREZ, Olivia Cristina; SOUZA, Bruno Mello. Velhos, novos ou novíssimos movimentos sociais? As pautas e práticas dos coletivos. In: Anais do 41° Encontro anual da ANPOCS, GT 11 - Institucionalização e contestação nos movimentos sociais. Caxambu – MG, 2017. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PEREIRA, Stefania; GOMES, Letícia Simões. Tradução: Manifesto do Coletivo Combahee River. Plural, Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v. 26.1, p. 197-207, 2019. Disponível em: &amp;lt;nowiki&amp;gt;https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/&amp;lt;/nowiki&amp;gt; 159864.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Hasani</name></author>
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