Oliveira Silveira - Rio Grande do Sul: mudanças entre as edições

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== Diversidade étnico-racial do Rio Grande do Sul ==
== Composição da população não-branca do estado ==
População Total: '''10.882.965''' pessoas
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Sua trajetória política e artística evidencia algo muito claro entre as comunidades negras: as lutas e a cultura estão além das fronteiras e se conectam através das experiências racistas e luta por um mundo onde a diversidade e equidade sejam respeitadas.
Sua trajetória política e artística evidencia algo muito claro entre as comunidades negras: as lutas e a cultura estão além das fronteiras e se conectam através das experiências racistas e luta por um mundo onde a diversidade e equidade sejam respeitadas.


Um de seus poemas mais conhecidos é o ''Treze de Maio'':<blockquote>
Um de seus poemas mais conhecidos é o ''Treze de Maio'':<blockquote>Treze de maio traição,
 
 
 
Treze de maio traição,


liberdade sem asas
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== '''Você Sabia?''' ==
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Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros e casas de Axé do Brasil. São mais de 250. Os terreiros e casas de Axé além de dar acalanto espiritual para a população, é local de preservação das culturas africanas.</blockquote>
Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros e casas de Axé do Brasil. São mais de 250. Os terreiros e casas de Axé além de dar acalanto espiritual para a população, é local de preservação das culturas africanas.</blockquote>



Edição atual tal como às 12h07min de 3 de outubro de 2025

Rio Grande do Sul

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]

População Total: 10.882.965 pessoas

População Parda: 14,67% da população

População Preta: 6,52% da população

População Quilombola: 17.552 pessoas

População Indígena: 36.102 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Oliveira Silveira[editar | editar código-fonte]

Oliveira Silveira

Oliveira Ferreira da Silveira (1941-2009), mais conhecido como Oliveira Silveira, foi poeta, intelectual e militante negro brasileiro. Nascido em Rosário do Sul no estado do Rio Grande do Sul, inicia seus estudos em casa pois no mesmo sítio que morava havia uma professora. Mais tarde, passa a morar na região central da cidade para frequentar o ginásio. Durante essa época, torna-se locutor da Rádio Marajá e passa a publicar poemas no jornal Correio do Rosário do Sul. Muda-se para Porto Alegre para continuar seus estudos e passa a morar na Casa de Estudante da Juventude Universitária Católica (JUC).

Tanto o colégio e sua nova residência, assim como as mudanças políticas do país, tiveram enorme importância em sua formação e atuação política e em 1960, ele ingressa no curso de letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É na universidade que ele toma consciência racial.

Durante sua formação acadêmica, ele conhece o movimento político-literário Negritude. Tal movimento tem como base a luta contra o colonialismo europeu e pela libertação do continente africano. O movimento também lutava pela valorização cultural de África. Ele também foi influenciado pelas lutas por direitos civis nos Estados Unidos e seus artistas negros como Langston Hughes, Martin Luther King e outros.  

Sua trajetória política e artística evidencia algo muito claro entre as comunidades negras: as lutas e a cultura estão além das fronteiras e se conectam através das experiências racistas e luta por um mundo onde a diversidade e equidade sejam respeitadas.

Um de seus poemas mais conhecidos é o Treze de Maio:

Treze de maio traição,

liberdade sem asas

e fome sem pão

Liberdade de asas quebradas

como

........ este verso.

Liberdade asa sem corpo:

sufoca no ar,

se afoga no mar.

Treze de maio – já dia 14

o Y da encruzilhada:

seguir

banzar

voltar?

Treze de maio – já dia 14

a resposta gritante:

pedir

servir

calar.

Os brancos não fizeram mais

que meia obrigação

O que fomos de adubo

o que fomos de sola

o que fomos de burros cargueiros

o que fomos de resto

o que fomos de pasto

senzala porão e chiqueiro

nem com pergaminho

nem pena de ninho

nem cofre de couro

nem com lei de ouro.

O que fomos de seiva

.......................de base

..................... de Atlas

o que fomos de vida

.......................e luz

chama negra em treva branca

.......................quem sabe só com isto:

que o que temos nós lutamos

para sobreviver

e também somos esta pátria

em nós ela está plantada

nela crispamos raízes

de enxerto mas sentimos

e mutuamente arraigamos

....quem sabe só com isto:

que ela é nossa também, sem favor,

e sem pedir respiramos seu ar

....a largos narizes livres

bebemos à vontade de suas fontes

... a grossas beiçadas fartas

tapamos-destapamos horizontes

....com a persiana graúda das pálpebras

escutamos seu baita coração

....com nosso ouvido musical

e com nossa mão gigante

batucamos no seu mapa

....quem sabe nem com isso

e então vamos rasgar

a máscara do treze

para arrancar a dívida real

com nossas próprias mãos.

No poema, ele critica a data e evidencia as lutas e sofrimentos constantes da população negra no passado e no presente.

Devido suas críticas à data, Oliveira Silveira é conhecido como uma das vozes pela luta de transformar o dia 20 de Novembro, morte do líder Zumbi do Quilombo dos Palmeiras, no Dia da Consciência Negra que, em 2023, se tornou feriado nacional.

O poeta também ficou conhecido pelo uso da identidade afro-gaúcha, evidenciando que no estado a narrativa tratou de apagar as contribuições e lutas do povo negro das histórias oficiais, como se o Rio Grande do Sul fosse unicamente branco e com descendência europeia.

Você Sabia?

Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros e casas de Axé do Brasil. São mais de 250. Os terreiros e casas de Axé além de dar acalanto espiritual para a população, é local de preservação das culturas africanas.

Recomendação[editar | editar código-fonte]

Assista a reportagem Programa Literatura Negra em homenagem a Oliveira Silveira produzida pela TVE RS: Nação | TVE: https://www.youtube.com/watch?v=R9Y1bxngh-Q&t=2s

Fontes[editar | editar código-fonte]

O afro-gaúcho Oliveira Silveira, o poeta da consciência negra - Geledés: https://www.geledes.org.br/o-afro-gaucho-oliveira-silveira-o-poeta-da-consciencia-negra/

Vista do INTELECTUAL NEGRO NO SUL: A TRAJETÓRIA DE OLIVEIRA SILVEIRA (LEPAARQ - UFPEL): https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/lepaarq/article/view/3772