Barbadianos (Rondônia): mudanças entre as edições

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== Composição da População Não-Branca do Estado ==
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População Total: '''1.581.196''' pessoas
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População Parda: '''59,24 %''' da população
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== Barbadianos em Rondônia ==
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Barbadiano é o nome genérico dado aos milhares de afro-antilhanos que migraram para o norte do Brasil como trabalhadores de empresas estrangeiras, normalmente inglesas, responsáveis pelas construções de ferrovias durante o que ficou conhecido como Ciclo da Borracha. Inúmeras famílias da ilha de Barbados se alocaram na capital de Rondônia, Porto Velho, para trabalharem na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré (1907 – 1912). Tal estrada também demarca a criação de Porto Velho, fundada em 1907. Nesse sentido, a migração dos barbadianos é fundamental para cidade e região.
Barbadiano é o nome genérico dado aos milhares de afro-antilhanos que migraram para o norte do Brasil como trabalhadores de empresas estrangeiras, normalmente inglesas, responsáveis pelas construções de ferrovias durante o que ficou conhecido como Ciclo da Borracha. Inúmeras famílias da ilha de Barbados se alocaram na capital de Rondônia, Porto Velho, para trabalharem na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré (1907 – 1912). Tal estrada também demarca a criação de Porto Velho, fundada em 1907. Nesse sentido, a migração dos barbadianos é fundamental para cidade e região.
 
[[Arquivo:BRB orthographic.svg.png|miniaturadaimagem|Localização de Barbados]]
O aumento do cultivo e extração do da borracha esteve presente em diferentes partes do mundo pois seu produto era matéria-prima essencial no processo de colonização e industrialização no final do século XIX. Um desses países foi a Bolívia. Todavia, ela não possuía caminhos que chegassem aos oceanos, sobretudo o Atlântico, de maneira que pudesse exportar seus produtos. O Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição firmados entre Brasil e Bolívia (1867) deu esperança para sua chegada ao Atlântico por meio da estrada. Inúmeras tentativas de utilização de portos e construção de malhas de ferro foram em vão. A floresta amazônica fora o que mais dificultou esse projeto de colonização: malária, disenteria, pneumonia, inúmeras mortes de trabalhadores marcaram essa tentativa.
O aumento do cultivo e extração do da borracha esteve presente em diferentes partes do mundo pois seu produto era matéria-prima essencial no processo de colonização e industrialização no final do século XIX. Um desses países foi a Bolívia. Todavia, ela não possuía caminhos que chegassem aos oceanos, sobretudo o Atlântico, de maneira que pudesse exportar seus produtos. O Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição firmados entre Brasil e Bolívia (1867) deu esperança para sua chegada ao Atlântico por meio da estrada. Inúmeras tentativas de utilização de portos e construção de malhas de ferro foram em vão. A floresta amazônica fora o que mais dificultou esse projeto de colonização: malária, disenteria, pneumonia, inúmeras mortes de trabalhadores marcaram essa tentativa.
 
[[Arquivo:1200px-Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho - RO.jpg|miniaturadaimagem|Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho]]
Somente com o Tratado de Petrópolis, em 1903, fora decidido que o Brasil seria responsável pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (E.F.M.M.), realizada pela empresa inglesa May, Jekyll & Randolph que reiniciou a construção em 1907. Quase meio século depois, a Bolívia tivera acesso ao oceano, mas quem controlava a exportação da borracha amazônica era a Grã-Bretanha. Para se ter uma noção do processo, o país foi responsável pelo roubo e tráfico de inúmeras sementes e mudas de seringueiras que foram enviadas para a Ásia que, entre 1913 e 1918, durante o declínio da produção e extração no Brasil, passou a produzir mais quatrocentas toneladas de borracha ao ano.
Somente com o Tratado de Petrópolis, em 1903, fora decidido que o Brasil seria responsável pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (E.F.M.M.), realizada pela empresa inglesa May, Jekyll & Randolph que reiniciou a construção em 1907. Quase meio século depois, a Bolívia tivera acesso ao oceano, mas quem controlava a exportação da borracha amazônica era a Grã-Bretanha. Para se ter uma noção do processo, o país foi responsável pelo roubo e tráfico de inúmeras sementes e mudas de seringueiras que foram enviadas para a Ásia que, entre 1913 e 1918, durante o declínio da produção e extração no Brasil, passou a produzir mais quatrocentas toneladas de borracha ao ano.



Edição atual tal como às 10h11min de 10 de novembro de 2025

Mapa do Brasil com Rondônia em destaque

Composição da População Não-Branca do Estado[editar | editar código-fonte]

População Total: 1.581.196 pessoas

População Parda: 59,24% da população

População Preta: 8,65 % da população

População Quilombola: 2.925 pessoas

População Indígena: 21.146 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Barbadianos em Rondônia[editar | editar código-fonte]

Barbadiano é o nome genérico dado aos milhares de afro-antilhanos que migraram para o norte do Brasil como trabalhadores de empresas estrangeiras, normalmente inglesas, responsáveis pelas construções de ferrovias durante o que ficou conhecido como Ciclo da Borracha. Inúmeras famílias da ilha de Barbados se alocaram na capital de Rondônia, Porto Velho, para trabalharem na construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré (1907 – 1912). Tal estrada também demarca a criação de Porto Velho, fundada em 1907. Nesse sentido, a migração dos barbadianos é fundamental para cidade e região.

Localização de Barbados

O aumento do cultivo e extração do da borracha esteve presente em diferentes partes do mundo pois seu produto era matéria-prima essencial no processo de colonização e industrialização no final do século XIX. Um desses países foi a Bolívia. Todavia, ela não possuía caminhos que chegassem aos oceanos, sobretudo o Atlântico, de maneira que pudesse exportar seus produtos. O Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição firmados entre Brasil e Bolívia (1867) deu esperança para sua chegada ao Atlântico por meio da estrada. Inúmeras tentativas de utilização de portos e construção de malhas de ferro foram em vão. A floresta amazônica fora o que mais dificultou esse projeto de colonização: malária, disenteria, pneumonia, inúmeras mortes de trabalhadores marcaram essa tentativa.

Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em Porto Velho

Somente com o Tratado de Petrópolis, em 1903, fora decidido que o Brasil seria responsável pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (E.F.M.M.), realizada pela empresa inglesa May, Jekyll & Randolph que reiniciou a construção em 1907. Quase meio século depois, a Bolívia tivera acesso ao oceano, mas quem controlava a exportação da borracha amazônica era a Grã-Bretanha. Para se ter uma noção do processo, o país foi responsável pelo roubo e tráfico de inúmeras sementes e mudas de seringueiras que foram enviadas para a Ásia que, entre 1913 e 1918, durante o declínio da produção e extração no Brasil, passou a produzir mais quatrocentas toneladas de borracha ao ano.

Para a construção da ferrovia, chegaram pessoas de inúmeros países, mas o maior número foi o de Barbados, um dos únicos grupos que puderam migrar com os familiares. Com o fim da escravização nas colônias britânicas, inúmeros afro-antilhanos migraram. No caso dos Barbadianos, eles foram cogitados para a essa região por terem como língua oficial o inglês – importante pois todos os manuais e expertise eram comunicados nesse idioma – e por já terem experiência na construção de ferrovias. Todavia, eles não trouxeram apenas a força de trabalho, mas também culturas e formas de estarem no mundo.

Uma das contribuições principais dos barbadianos é referente à educação: a primeira escola criada na cidade foi criada por eles para seus filhos. A alfabetização das crianças era realizada pelas mulheres e mães da comunidade. Na escola, se aprendia em inglês e os materiais didáticos eram trazidos da Grã-Bretanha. Essa primeira escola não possuía prédio específico e as aulas ocorriam nas casas e quintais e no galpão da E.F.M.M.. Inúmeras de suas descendentes atuaram e ainda atuam na área da educação: na primeira escola pública da cidade, inúmeras trabalharam como professoras, assim como na estruturação do ensino médio e superior.

A religião também fora algo importante: devido à colonização britânica, maioria das famílias eram protestantes. Eles foram um dos responsáveis por criar a comunidade evangélica de Porto Velho. Nas igrejas, eles ocupavam os corais e tocavam, devido suas experiências anteriores. E, por fim, a primeira enfermeira da cidade foi a barbadiana Lucinda Shockness.

Em suma, é possível observar a contribuição de matriz africana em Porto Velho de maneira específica. Os Barbadianos são figuras fundamentais para entender a cidade e a construção de um país marcado pelo encontro de diferentes diásporas africanas.

Recomendação[editar | editar código-fonte]

Assista a reportagem "OS BARBADIANOS e a Estrada de Ferro Madeira Mamoré" disponível no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=FdEVCjneAAQ

Fontes[editar | editar código-fonte]

Descendentes de barbadianos comentam a transição da ilha para república: 'Tentativa de reparação histórica' - G1: https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2021/12/05/descendentes-de-barbadianos-comentam-a-transicao-da-ilha-para-republica-tentativa-de-reparacao-historica.ghtml

'Mais da metade da população': entenda como aconteceu o processo migratório dos negros para RO - G1: https://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2023/11/22/mais-da-metade-da-populacao-entenda-como-aconteceu-o-processo-migratorio-dos-negros-para-ro.ghtml

A DIÁSPORA BARBADIANA E O LEGADO EDUCACIONAL EM PORTO VELHO - ELISANGELA LIMA DE CARVALHO SCHUINDT: https://oestrangeiro.org/wp-content/uploads/2017/06/dissertac3a7c3a3o-barbadianos-elisangela-schuindt.pdf