Taieiras de Laranjeira (Sergipe): mudanças entre as edições
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Edição atual tal como às 11h04min de 10 de novembro de 2025

Composição da População Não-Branca do Estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 2.210.004 pessoas
População Parda: 61,61% da população
População Preta: 12,85% da população
População Quilombola: 28.163 pessoas
População Indígena: 4.710 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Taieiras de Laranjeira[editar | editar código-fonte]
As Taieiras são grupos de louvação a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário que se apresentam em diferentes locais de Sergipe, principalmente, mas não só, em janeiro, quando o ciclo natalino se encerra. Há registros de diversos grupos desde o século XVI, principalmente do contingente de escravizados no estado. África é perceptível nas performances de coroação de reis e rainhas do Congo, nos instrumentos, ritmos e cores e, no caso da Taieira da cidade Laranjeiras também na adoração aos orixás.
A Taieira de Laranjeira é criada no século XIX, após promessa de uma escravizada, avó de Mãe Bilina. Após falecimento de sua mãe, Bilina assume a responsabilidade do grupo, deixando a conexão com os orixás mais fortes por ela ser Mãe de Santo da Irmandade e Terreiro Santa Bárbara Virgem. Os orixás estão presentes até hoje, tendo em vista que a vestimenta das meninas e jovens são compostas por saia branca e camiseta vermelha, em homenagem à Oya/Iansã, e inúmeras fitas cujas cores representam orixás específicos.
A indumentária também é composta por chapéu, cesto e chocalho – o querequexé é amplamente utilizado nos candomblés, religiões Nagôs e de tradição Yorubá como forma de comunicação com os Orixás – e, em determinados momentos, o bastão. Há um único tambor que é tocado pelo único rapaz que participa.
Dançam em fileiras e círculo, no círculo batem o bastão com as duas outras meninas de cada – ele também ajuda a marcar o tempo – e continuam a marcação com o chocalho. O bastão serve para rememorar as batalhas e coroações do Congo. As canções são de louvação aos santos protetores das pessoas negras e orixás, críticas ao sistema escravistas e questões do cotidiano presente.
O grupo se apresenta em salões, eventos culturais, festas e encontros. Mas a principal apresentação acontece na Missa do dia de Reis. Nesse dia, o grupo sai do Terreiro e vão dançando e tocando em direção à Igreja Matriz, onde se encontra outros dois grupos culturais de matriz africana: a Chegança, em homenagem aos marinheiros e o Cacumbi. Após a Missa, ainda na Igreja, ocorre a coroação na qual o padre tira a coroa de Nossa Senhora do Rosário e coloca na cabeça da rainha das Taieiras. Nesse momento, solta-se fogos de artifícios e todos vão comemorar a proteção concedida e mais uma coroação.
Atualmente, o grupo é composto por meninas e jovens que, para entrarem, precisam ser virgens, isso para demonstrar a pureza envolvida na louvação de Santa Bárbara Virgem. Mas antes, o grupo era composto por mulheres mais velhas. Inúmeros grupos deixaram de existir devido à perseguição tanto da Igreja Católica quanto da sociedade. Durante sua vida, Dona Bilina lutou para a continuação da Taieira de Laranjeira e o grupo sofrera perseguição e discriminação por sua ligação com os orixás.
O grupo se torna Patrimônio Imaterial do estado de Sergipe em 2013, evidenciando a importância histórica e cultural na formação do estado, além da preservação da história e cultura negra e africana.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista "Cultura em Foco - Taieiras" - TV Alese: https://www.youtube.com/watch?v=mVZ84VgyFkA
Fontes[editar | editar código-fonte]
RELIGIÃO E POESIA ORAL COMO LINGUAGEM: MODO DE VIDA E REALIZAÇÃO DE SENTIDO NOS PROCESSOS RITUAIS DE CULTO AOS SANTOS DA TAIEIRA DE LARANJEIRAS EM SERGIPE - Daniela Senger: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/16602/2/DANIELA_SENGER.pdf
A Taieira de Laranjeiras, bem cultural reconhecido como patrimônio imaterial sergipano - Sergipe Cultura Viva: https://sergipeculturaviva.blogspot.com/2015/03/a-taieira-de-laranjeiras-bem-cultural.html