Marabaixo (Amapá): mudanças entre as edições

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== População não-branca do Amapá ==
== Composição da população não-branca do estado ==
População Total: '''733.759''' pessoas
População Total: '''733.759''' pessoas



Edição atual tal como às 12h08min de 3 de outubro de 2025

Mapa do Brasil com Amapá e destaque

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]

População Total: 733.759 pessoas

População Parda: 65,28 % da população

População Preta: 11,81 % da população

População Quilombola: 12.894 pessoas

População Indígena: 11.334 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Marabaixo[editar | editar código-fonte]

O Marabaixo é uma importante manifestação cultural e de resistência negra. Seu nome remete ao tráfico de escravizados no qual milhares de africanos morreram ao cruzar o oceano Atlântico. Quando isso ocorria, os que ficavam cantavam músicas de lamento mar abaixo e mar acima. Com a formação de comunidades negras no estado do Amapá, muitas pessoas fazem promessas para santos e realizam o Marabaixo quando alcançam o que querem.

O Marabaixo mistura dança, caixas, ladrões e gengibirra. As danças realizadas em rodas são marcadas por passos arrastados e, segundo os praticantes, tais danças ocorrem desde o tempo da escravização. Além disso, os dançantes fazem movimentos para frente, para trás e para os lados, além de giros ao redor do próprio corpo. As mulheres usam saias rodas, diversos acessórios, além de flores na cabeça.

As caixas, ou tambores, dão o ritmo e melodia. As caixas são cilindras, cobertas por pele nas duas extremidades onde se toca com baquetas. As caixas são transpassadas nos ombros dos batuqueiros para que seja mais fácil o tocar. Normalmente, as caixas são coloridas e possuem símbolos e desenhos que remetem à santidade homenageada.

Os ladrões são os versos cantados e improvisados. Eles narram a vida cotidiana e acontecimentos sociais. Esses versos recebem esse nome porque roubam as histórias contadas e as transformam em músicas. Enquanto os ladrões são cantados no centro da roda, os outros participantes e público entoam o refrão.

Os festejos acontecem em locais público e abertos e sempre são servidos caldos e a gengibirra, bebida feita com gengibre, água, açúcar e cachaça.

O ciclo do Marabaixo ocorre durante o período da Páscoa o que evidencia uma tradição africana misturada com a fé cristã. Há também o Encontro de Tambores, durante a semana da Consciência Negra, no qual os praticantes do Marabaixo tocam.

O Marabaixo é mais antigo que o próprio estado do Amapá e desde o século XIX tal manifestação foi associada ao diabo, vadiagem e libertinagem, além de ser combatida publicamente pela igreja católica e, depois, pelo estado do Amapá, que foi instituído em 1943. Apesar do preconceito e discriminação, as comunidades negras lutaram para que o Marabaixo continuasse a acontecer: na década de 1980 é criada a União dos Negros do Amapá com o intuito de valorizar as contribuições culturais e sociais das comunidades negras do estado e lutar contra o racismo. E, em 1995, ocorre o 1º Encontro dos Tambores no Quilombo Curiaú em comemoração do Dia da Consciência Negra. Esses dois movimentos políticos-culturais foram fundamentais para trazer para o centro do debate a importância histórica do Marabaixo.

Atualmente, há diversas leis estaduais e municipais de fomento e celebração do Marabaixo e ele foi tombado como Patrimônio Imaterial pelo IPHAN em 2018.

Recomendação[editar | editar código-fonte]

Assista o vídeo sobre o Marabaixo produzido pelo IPHAN Marabaixo: https://www.youtube.com/watch?v=ba4K9uNMO90&t=706s

Fontes[editar | editar código-fonte]

Expressão cultural amapaense, o Marabaixo, é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil (IPHAN): http://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/4886

Dia do Marabaixo: conheça história de ancestralidade e manifestação cultural no Amapá | Amapá | G1: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2023/06/16/dia-do-marabaixo-ancestralidade-e-manifestacao-cultural.ghtml