Congo (Espírito Santo): mudanças entre as edições
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O Congo Capixaba, também conhecido como Bandas de Congo, é uma manifestação cultural realizada em grupos de crianças, homens e mulheres que cantam e dançam. Os principais instrumentos utilizados são os tambores e as casacas, mas há também caixas-claras, cuícas, pandeiros, chocalhos e o apito utilizado pelo Mestre (que serve para iniciar e finalizar as canções). As casacas são de extrema importância no Congo, apesar de parecer um reco-reco, sua madeira e som são diferentes. Além disso, a estética da casaca é bem característica: normalmente pinta-se rostinhos no topo do instrumento de forma artesanal. Em verdade, a maioria dos instrumentos são artesanais e o conhecimento de suas produções é passado para as futuras gerações. | O Congo Capixaba, também conhecido como Bandas de Congo, é uma manifestação cultural realizada em grupos de crianças, homens e mulheres que cantam e dançam. Os principais instrumentos utilizados são os tambores e as casacas, mas há também caixas-claras, cuícas, pandeiros, chocalhos e o apito utilizado pelo Mestre (que serve para iniciar e finalizar as canções). As casacas são de extrema importância no Congo, apesar de parecer um reco-reco, sua madeira e som são diferentes. Além disso, a estética da casaca é bem característica: normalmente pinta-se rostinhos no topo do instrumento de forma artesanal. Em verdade, a maioria dos instrumentos são artesanais e o conhecimento de suas produções é passado para as futuras gerações. | ||
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O Congo é rico em aspectos culturais, históricos e religiosos, ritmos e cantigas que trazem devoções de santos, assuntos do mar – como sereias, jangadas e pescaria -, além de questões cotidianas. As mulheres e crianças dançam ao redor do grupo de músicos que se dispõem em roda. | O Congo é rico em aspectos culturais, históricos e religiosos, ritmos e cantigas que trazem devoções de santos, assuntos do mar – como sereias, jangadas e pescaria -, além de questões cotidianas. As mulheres e crianças dançam ao redor do grupo de músicos que se dispõem em roda. | ||
Há uma lenda que os músicos que integram as bandas representam os escravos que se salvaram do naufrágio do navio Palermo em 1856. Tais pessoas se agarram ao mastro do navio que continha a imagem de São Benedito. Dessa maneira, o Congo também representa a luta e resiliência das comunidades litorâneas do Espírito Santo e, por isso, muitas bandas fincam seus mastros na praia para agradecer o milagre e louvar o santo. | Há uma lenda que os músicos que integram as bandas representam os escravos que se salvaram do naufrágio do navio Palermo em 1856. Tais pessoas se agarram ao mastro do navio que continha a imagem de São Benedito. Dessa maneira, o Congo também representa a luta e resiliência das comunidades litorâneas do Espírito Santo e, por isso, muitas bandas fincam seus mastros na praia para agradecer o milagre e louvar o santo. | ||
Apesar de sua origem incerta, o termo ''congo'' é utilizado por diversas manifestações culturais no Brasil, como por exemplo: Congada, Congadas Mineiras, Terno de Congo, entre outros. Seu nome remete ao Reino do Congo, um dos maiores impérios africanos no período da colonização e escravização. O encontro entre africanos, indígenas e europeus possibilita a criação de uma manifestação que não existe em África, mas que tem suas bases do outro lado do Oceano Atlântico. | Apesar de sua origem incerta, o termo ''congo'' é utilizado por diversas manifestações culturais no Brasil, como por exemplo: Congada, Congadas Mineiras, Terno de Congo, entre outros. Seu nome remete ao Reino do Congo, um dos maiores impérios africanos no período da colonização e escravização. O encontro entre africanos, indígenas e europeus possibilita a criação de uma manifestação que não existe em África, mas que tem suas bases do outro lado do Oceano Atlântico. | ||
Os festejos se iniciam duas semanas antes da celebração do Natal. Na preparação, o mastro, de madeira ainda verde, é cortado pelo povo e puxado por bois enfeitados acompanhados pela população e pelos cavalheiros. Entre os dias 25 e 26 de dezembro, o mastro é posto dentro de um navio com rodas e puxado pelas ruas da cidade, até ser fincado no dia dedicado a São Benedito. A celebração se encerra com a retirada do mastro no domingo de Páscoa. | Os festejos se iniciam duas semanas antes da celebração do Natal. Na preparação, o mastro, de madeira ainda verde, é cortado pelo povo e puxado por bois enfeitados acompanhados pela população e pelos cavalheiros. Entre os dias 25 e 26 de dezembro, o mastro é posto dentro de um navio com rodas e puxado pelas ruas da cidade, até ser fincado no dia dedicado a São Benedito. A celebração se encerra com a retirada do mastro no domingo de Páscoa. [[Arquivo:Congo Capixaba (4381581171).jpg|miniaturadaimagem|356x356px|Congo Capixaba]]O mastro também é importante para se criar a identificações das Bandas. No estado existem mais de 60 Bandas de Congo, cada uma com suas formas de cantar, santo padroeiro, instrumentos e rituais. Assim, cada Congo tem sua própria identidade, autonomia e história. | ||
O mastro também é importante para se criar a identificações das Bandas. No estado existem mais de 60 Bandas de Congo, cada uma com suas formas de cantar, santo padroeiro, instrumentos e rituais. Assim, cada Congo tem sua própria identidade, autonomia e história. | |||
Na década de 1980, a música ''Madalena, Madalena'' fica conhecida nacionalmente pela gravação de Martinho da Vila, mas ela fora escrita pelo Mestre do Congo José Maria da Silva, Tio Zé. Martinho escuta a música em uma visita à Barra do Jucu (Vila Velha), um dos berços do Congo Capixaba. Já na década de 1990, muitos grupos passam a mesclar a tradição do Congo com o ''rock'' – outra tradição de matriz africana. Bandas como Manimal e Casaca torna o ''rockongo'' conhecido em vários estados do país. | Na década de 1980, a música ''Madalena, Madalena'' fica conhecida nacionalmente pela gravação de Martinho da Vila, mas ela fora escrita pelo Mestre do Congo José Maria da Silva, Tio Zé. Martinho escuta a música em uma visita à Barra do Jucu (Vila Velha), um dos berços do Congo Capixaba. Já na década de 1990, muitos grupos passam a mesclar a tradição do Congo com o ''rock'' – outra tradição de matriz africana. Bandas como Manimal e Casaca torna o ''rockongo'' conhecido em vários estados do país. | ||
Edição atual tal como às 16h22min de 7 de outubro de 2025

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 3.833.712 pessoas
População Parda: 64,71 % da população
População Preta: 6,77 % da população
População Quilombola: 15.659 pessoas
População Indígena: 14.410 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Congo[editar | editar código-fonte]
O Congo Capixaba, também conhecido como Bandas de Congo, é uma manifestação cultural realizada em grupos de crianças, homens e mulheres que cantam e dançam. Os principais instrumentos utilizados são os tambores e as casacas, mas há também caixas-claras, cuícas, pandeiros, chocalhos e o apito utilizado pelo Mestre (que serve para iniciar e finalizar as canções). As casacas são de extrema importância no Congo, apesar de parecer um reco-reco, sua madeira e som são diferentes. Além disso, a estética da casaca é bem característica: normalmente pinta-se rostinhos no topo do instrumento de forma artesanal. Em verdade, a maioria dos instrumentos são artesanais e o conhecimento de suas produções é passado para as futuras gerações.

O Congo é rico em aspectos culturais, históricos e religiosos, ritmos e cantigas que trazem devoções de santos, assuntos do mar – como sereias, jangadas e pescaria -, além de questões cotidianas. As mulheres e crianças dançam ao redor do grupo de músicos que se dispõem em roda. Há uma lenda que os músicos que integram as bandas representam os escravos que se salvaram do naufrágio do navio Palermo em 1856. Tais pessoas se agarram ao mastro do navio que continha a imagem de São Benedito. Dessa maneira, o Congo também representa a luta e resiliência das comunidades litorâneas do Espírito Santo e, por isso, muitas bandas fincam seus mastros na praia para agradecer o milagre e louvar o santo.
Apesar de sua origem incerta, o termo congo é utilizado por diversas manifestações culturais no Brasil, como por exemplo: Congada, Congadas Mineiras, Terno de Congo, entre outros. Seu nome remete ao Reino do Congo, um dos maiores impérios africanos no período da colonização e escravização. O encontro entre africanos, indígenas e europeus possibilita a criação de uma manifestação que não existe em África, mas que tem suas bases do outro lado do Oceano Atlântico.
Os festejos se iniciam duas semanas antes da celebração do Natal. Na preparação, o mastro, de madeira ainda verde, é cortado pelo povo e puxado por bois enfeitados acompanhados pela população e pelos cavalheiros. Entre os dias 25 e 26 de dezembro, o mastro é posto dentro de um navio com rodas e puxado pelas ruas da cidade, até ser fincado no dia dedicado a São Benedito. A celebração se encerra com a retirada do mastro no domingo de Páscoa.

O mastro também é importante para se criar a identificações das Bandas. No estado existem mais de 60 Bandas de Congo, cada uma com suas formas de cantar, santo padroeiro, instrumentos e rituais. Assim, cada Congo tem sua própria identidade, autonomia e história.
Na década de 1980, a música Madalena, Madalena fica conhecida nacionalmente pela gravação de Martinho da Vila, mas ela fora escrita pelo Mestre do Congo José Maria da Silva, Tio Zé. Martinho escuta a música em uma visita à Barra do Jucu (Vila Velha), um dos berços do Congo Capixaba. Já na década de 1990, muitos grupos passam a mesclar a tradição do Congo com o rock – outra tradição de matriz africana. Bandas como Manimal e Casaca torna o rockongo conhecido em vários estados do país.
O Congo não é conhecido somente no planeta Terra. Em 2004, o robô Perserverance foi enviado a planeta Marte pela Agência Espacial Norte Americana (NASA) para a realização da exploração da atmosfera do planeta. O robô foi acordado ao som da música “Da da da” da Banda Casaca. Apesar do rock ser mais audível, é perceptivo o Congo também.
Em 2014, o Congo fora reconhecido como Patrimônio Imaterial do Espírito Santo.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o Documentário O Congo e a Casaca, Símbolo Capixaba: https://www.youtube.com/watch?v=oijRc7lYzRQ&ab_channel=MuseuVale
Fontes[editar | editar código-fonte]
O Congo Capixaba como Patrimônio Imaterial: As Festas de São Benedito na Serra e as Bandas de Congo - Isabel Quintino Araujo (pdf): https://www.unirio.br/ppg-pmus/isabel_quintino_araujo.pdf
A Gazeta | O dia em que um robô da Nasa foi acordado ao som da Banda Casaca em Marte: https://www.agazeta.com.br/capixapedia/o-dia-em-que-um-robo-da-nasa-foi-acordado-ao-som-da-banda-casaca-em-marte-0221
SECULT - Congo: bem imaterial do Espírito Santo: https://secult.es.gov.br/congo-bem-imaterial-do-espirito-santo
Congo Capixaba: memória e herança cultural do Espírito Santo | by Emanuela Souza | Medium: https://emanuelasouza.medium.com/congo-capixaba-mem%C3%B3ria-e-heran%C3%A7a-cultural-do-esp%C3%ADrito-santo-690babf4a830
Conheça o Congo, cultura popular de raiz negra e indígena invisibilizada do Espírito Santo - Nonada Jornalismo: https://www.nonada.com.br/2024/08/conheca-o-congo-cultura-popular-invisibilizada-do-espirito-santo/
Historias das Bandas de Congo: https://web.archive.org/web/20200105215212/http:/www.clerioborges.com.br/congo.html