Jongo (Rio de Janeiro): mudanças entre as edições
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Suas origens são incertas, mas é possível observar que o jongo é resultado da contribuição cultural, saberes e ritos das populações africanas de língua ''bantu''. O Jongo se consolida entre as pessoas escravizadas nas lavouras de café e cana-de-açúcar sobretudo na região Sudeste do Brasil, de modo geral, e no Vale do Ribeira, de maneira específica. | Suas origens são incertas, mas é possível observar que o jongo é resultado da contribuição cultural, saberes e ritos das populações africanas de língua ''bantu''. O Jongo se consolida entre as pessoas escravizadas nas lavouras de café e cana-de-açúcar sobretudo na região Sudeste do Brasil, de modo geral, e no Vale do Ribeira, de maneira específica. | ||
[[Arquivo:Tia Maria em roda de Jongo.jpg|miniaturadaimagem|Tia Maria, integrantes do Jongo da Serrinha, músicos, amigos e vizinhos em roda de jongo no quintal da sua casa na Serrinha]] | |||
A criminalização das manifestações culturais de africanos e negros também recai sobre o Jongo: em 1831 e 1838, por exemplo, os senhores de engenho conseguiram impedir que escravizados realizassem o chamado “danças e candombes” nas leis municipais de Vassouras (RJ). Isso porque temiam os perigos de organizações afro-brasileiras. Ao mesmo tempo, o Jongo sobrevive graças à continuidade quase secreta ao longo das décadas através de encontros entre familiares, amigos e vizinhos, como é o caso dos que frequentavam a casa de Maria Joana Monteiro no morro da Serrinha (RJ). | A criminalização das manifestações culturais de africanos e negros também recai sobre o Jongo: em 1831 e 1838, por exemplo, os senhores de engenho conseguiram impedir que escravizados realizassem o chamado “danças e candombes” nas leis municipais de Vassouras (RJ). Isso porque temiam os perigos de organizações afro-brasileiras. Ao mesmo tempo, o Jongo sobrevive graças à continuidade quase secreta ao longo das décadas através de encontros entre familiares, amigos e vizinhos, como é o caso dos que frequentavam a casa de Maria Joana Monteiro no morro da Serrinha (RJ). | ||
Edição atual tal como às 16h44min de 7 de outubro de 2025

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 16.055.174 pessoas
População Parda: 41,62 % da população
População Preta: 16,16 % da população
População Quilombola: 20.447 pessoas
População Indígena: 16.994 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Jongo[editar | editar código-fonte]
O Jongo é uma manifestação cultural de matriz africana que remete ao tempo da escravização. Ele é uma forma de louvação aos antepassados, consolidação de tradições e afirmação de identidades.
Suas origens são incertas, mas é possível observar que o jongo é resultado da contribuição cultural, saberes e ritos das populações africanas de língua bantu. O Jongo se consolida entre as pessoas escravizadas nas lavouras de café e cana-de-açúcar sobretudo na região Sudeste do Brasil, de modo geral, e no Vale do Ribeira, de maneira específica.

A criminalização das manifestações culturais de africanos e negros também recai sobre o Jongo: em 1831 e 1838, por exemplo, os senhores de engenho conseguiram impedir que escravizados realizassem o chamado “danças e candombes” nas leis municipais de Vassouras (RJ). Isso porque temiam os perigos de organizações afro-brasileiras. Ao mesmo tempo, o Jongo sobrevive graças à continuidade quase secreta ao longo das décadas através de encontros entre familiares, amigos e vizinhos, como é o caso dos que frequentavam a casa de Maria Joana Monteiro no morro da Serrinha (RJ).
Após horas de exploração e violência, africanos e seus descendentes voltavam às senzalas e barracões com o tambu (tambor) e tocavam e dançavam (de umbigada) em roda sob o som do batuque e canções (pontos) de lamento e revolta. Os pontos serviam como forma de comunicação única para evitar que senhores e capatazes entendessem as mensagens cifradas. Provavelmente é daí que surge o medo de insurgência e luta contra uma formação social marcada pela discriminação e desumanização. O Jongo é a prova viva em nossa cultura do poder coletivo, cultural e estratégico pela vida e resistência em um sistema marcado pela morte.
O Jongo é um termo genérico que também se refere a angona, angoma, caxambu, tambor e tambu. Tais palavras têm mais de um significado: caxambu é o maior tambor utilizado no Jongo e em Santo Antônio de Pádua (RJ), a palavra se refere à totalidade do Jongo (tambores, danças, pontos e festas); tambor e tambu é o nome dos tambores que acompanham a dança e fazem par com o candongueiro, tambor menor. Na Fazenda São José da Serra (RJ), o tambu é um dos tambores e se refere à dança. De qualquer maneira, todos os termos se referem às expressões culturais e artísticas similares – nesse sentido é importante ressaltar que cada comunidade e grupo de Jongo tem suas especificidades, apesar de compartilharem significados e sentidos através do batuque, dança e ponto.
Durante o século XX, devido aos processos migratórios, criminalização e racismo, muitas comunidades deixaram de praticar o Jongo. Ainda assim, muitas comunidades mantiveram a cultura do Jongo e se adaptaram as demandas e mudanças sociais. Muitos dos brincantes vivem em comunidades rurais e nas periferias das grandes cidades, participam das festividades católicas e datas referentes à Consciência Negra, inúmeras crianças participam ativamente das atividades e, além disso, há redes de apoio entre as comunidades jongueiras e grupos de pesquisadores em universidades e organizações culturais diversas que organizam apresentações, oficinas, palestras e gravações audiovisuais.
Em 1996 ocorre o I Encontro de Jongueiros em Santo Antônio de Pádua e desde então o Encontro ocorre anualmente em diferentes estados. Nele há muita dança, brincadeira e cantoria, bem como conversas e estratégias para se manter o Jongo vivo.
Desde 2005 o Jongo é proclamado Patrimônio Cultural Brasileiro pelo IPHAN devido sua importância política, cultural e artística que nos conta histórias silenciadas e almejam futuros melhores para nossa população.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista a reportagem “A tradição do Jongo da Serrinha” produzido pelo Canal Brasil A tradição do Jongo da Serrinha: https://www.youtube.com/watch?v=XC__FSs56DU&ab_channel=TVBrasil
Fontes[editar | editar código-fonte]
Dossiê 5 Jongo do Sudeste (IPHAN): http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/PatImDos_jongo_m.pdf