Batuque de Umbigada (São Paulo): mudanças entre as edições
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[[Arquivo:Batuque de Umbigada de Piracicaba - 0040.jpg|miniaturadaimagem|Batuque de Umbigada em Piracicaba ]] | |||
Já na virada do século XIX para o XX, houve uma tentativa de criminalizar os negros e, por consequente, suas manifestações culturais e artísticas. Essa tentativa visava apagar as contribuições dos negros na constituição da sociedade brasileira e torná-los representantes do que a modernidade queria negar e, por vezes, matar. Nesse período, inúmeras manifestações culturais de matriz africana foram proibidas. | Já na virada do século XIX para o XX, houve uma tentativa de criminalizar os negros e, por consequente, suas manifestações culturais e artísticas. Essa tentativa visava apagar as contribuições dos negros na constituição da sociedade brasileira e torná-los representantes do que a modernidade queria negar e, por vezes, matar. Nesse período, inúmeras manifestações culturais de matriz africana foram proibidas. | ||
Edição atual tal como às 10h53min de 10 de novembro de 2025

Composição da População Não-Branca do Estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 44.411.238 pessoas
População Parda: 32,96 % da população
População Preta: 7,99 % da população
População Quilombola: 11.006 pessoas
População Indígena: 55.331 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Batuque de Umbigada[editar | editar código-fonte]
O Batuque de Umbigada, também conhecido como Tambu ou Caiumba, é manifestação cultural afro-brasileira que tem sua proliferação na região do médio Tietê. Sua origem é Bantu – grupo cultural e linguístico localizado na África subsaariana -, sendo que a maioria das pessoas escravizadas e sequestradas para o Brasil são de países que conhecemos hoje como Moçambique, Angola e Congo. Há registros desses grupos no Brasil desde, pelo menos, o século XVI, o que permite afirmar que a cultura gerada pelo encontro colonial também pode ter surgido neste mesmo período.
O Batuque se desenvolve, sobretudo, nas fazendas de café e cana-de-açúcar e, desde então, os diferentes municípios que fazem parte da região mantém esta tradição viva. Ao mesmo tempo, devido aos processos migratórios de negros em busca de melhores condições de vida, cidades como São Paulo e Barueri também possuem batuqueiros e brincantes.
Durante a escravização, a forma de lidar com o Batuque era contraditória: por um lado, em muitos lugares eram proibidos e, por outro, muitas vezes ele era permitido como forma de acalmar os ânimos nas senzalas.

Já na virada do século XIX para o XX, houve uma tentativa de criminalizar os negros e, por consequente, suas manifestações culturais e artísticas. Essa tentativa visava apagar as contribuições dos negros na constituição da sociedade brasileira e torná-los representantes do que a modernidade queria negar e, por vezes, matar. Nesse período, inúmeras manifestações culturais de matriz africana foram proibidas.
Além disso, de forma proposital, a abolição não garantiu acesso a direitos à população negra, mas isso não impediu que a cultura fosse uma ferramenta de contestação, bem-viver, resistência e diversão. Diante dessa situação, inúmeros migraram para as periferias das grandes cidades, fazendo com que esses lugares fossem lugar propício para o encontro de diferentes manifestações culturais.
O Batuque envolve toques de tambores que marcam o ritmo, o canto – normalmente referente à resistência ancestral em relação ao escravismo, santos, orixás, entidades, cotidiano e crítica social – e a roda, na qual as pessoas, em casal, dançam e brincam e, em diferentes momentos, encostam os umbigos como forma de agradecimento, convite na dança, articulação de ritmo, dança e letra.
Antes das festividades, é feito uma fogueira para que os tambores sejam afinados. A fogueira também aquece as pessoas, já que as festas ocorriam durante junho e julho, período de inverno. Quando os batuqueiros e dançantes chegam, é realizada uma oração em roda onde todos estão de mãos dadas. Não importa a religião das pessoas, mas a fé, o compromisso e respeito.
O Batuque também tem ramificações importantes no samba paulista, como é o exemplo de Madrinha Eunice, fundadora da Escola de Samba Lava-pés, localizada no bairro Liberdade na capital e fundada em 1937, que mantinha a tradição de Batuque de Umbigada. Madrinha Eunice é herdeira do Batuque e dos tambores do estado de São Paulo e hoje a Lava-pés é a escola mais antiga em atividade na cidade de São Paulo.
Atualmente, o Batuque de Umbigada se mantém vivo devido aos esforços de diferentes batuqueiros em fortalecerem e criarem redes de trocas. O Projeto Casa de Batuqueiro, em Piracicaba, realiza a preservação de tal tradição através de registros orais e audiovisuais, além de organizar encontros regionais no estado de São Paulo.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o documentário "Percursos da Tradição | Batuque de Umbigada" no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Crg9HfKAIYo
Fontes[editar | editar código-fonte]
Batuque de umbigada: cultura bantu afro-paulista - SESC SP: https://www.sescsp.org.br/editorial/batuque-de-umbigada-cultura-bantu-afro-paulista/