Redenção (Ceará): mudanças entre as edições
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Em 1882 é criada a Sociedade Redentora Acarapense e, no ano seguinte, conseguem alforriar 116 escravizados. No ano seguinte, a Sociedade Cearense Libertadora, criada Antônio Bezerra de Menezes, Barão de Studart e João Cordeiro, famosos políticos na época, extingue a escravidão do estado. Eles também foram os fundadores do Instituto Histórico do Ceará (1887), sendo responsáveis diretos da história oficial do estado do Ceará. | Em 1882 é criada a Sociedade Redentora Acarapense e, no ano seguinte, conseguem alforriar 116 escravizados. No ano seguinte, a Sociedade Cearense Libertadora, criada Antônio Bezerra de Menezes, Barão de Studart e João Cordeiro, famosos políticos na época, extingue a escravidão do estado. Eles também foram os fundadores do Instituto Histórico do Ceará (1887), sendo responsáveis diretos da história oficial do estado do Ceará. | ||
[[Arquivo:Brazil Ceará Redenção location map.svg.png|miniaturadaimagem|Localização da cidade Redenção (Ceará)]] | |||
A história de Redenção é recontada em diferentes museus e monumentos: Museu Histórico e Memorial da Liberdade, onde se encontrar os documentos oficiais relacionados ao período; Museu Senzala Negro Liberto, inaugurado em 2003 pela família então dona do estabelecimento. O Museu permite que visitantes “experienciem” como era estar em uma senzala, além de possuir todos os aparatos de tortura usado no período. O monumento Negra Lua se localiza na entrada da cidade, inaugurado em 1968, representa uma mulher negra está sentada em seus joelhos, com as mãos para cima como forma de agradecimento. Já o monumento Vicente Mulato traz a figura de um homem preto, em pé. Tanto Negra Nua quanto Vicente Mulato possuem correntes quebradas, mas não por eles, segundo a história oficial. | A história de Redenção é recontada em diferentes museus e monumentos: Museu Histórico e Memorial da Liberdade, onde se encontrar os documentos oficiais relacionados ao período; Museu Senzala Negro Liberto, inaugurado em 2003 pela família então dona do estabelecimento. O Museu permite que visitantes “experienciem” como era estar em uma senzala, além de possuir todos os aparatos de tortura usado no período. O monumento Negra Lua se localiza na entrada da cidade, inaugurado em 1968, representa uma mulher negra está sentada em seus joelhos, com as mãos para cima como forma de agradecimento. Já o monumento Vicente Mulato traz a figura de um homem preto, em pé. Tanto Negra Nua quanto Vicente Mulato possuem correntes quebradas, mas não por eles, segundo a história oficial. | ||
Edição atual tal como às 09h15min de 10 de novembro de 2025

Composição da População Não-Branca do Estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 8.794.957 pessoas
População Parda: 64,71 % da população
População Preta: 6,77 % da população
População Quilombola: 23.994 pessoas
População Indígena: 56.372 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Redenção [editar | editar código-fonte]
Redenção, no Ceará, é conhecida como a primeira cidade a abolir a escravidão no Brasil, em 1883. Sua história é marcada por heroísmo e apagamentos e nos servem para entender as complexidades e cicatrizes deixadas pela colonização.
Redenção está localizada no Polo Serra de Guaramiranga, a 55 quilômetros da capital cearense, Fortaleza. Até 1868 era denominada Vila de Acarape. Apesar de, na época, a população da cidade ser composta por 68% de pessoas negras e serem inúmeros as fugas, criação de quilombos e irmandades religiosas, a abolição é recontada através da narrativa histórica oficial que apaga essas vidas e narrativas.
Em 1882 é criada a Sociedade Redentora Acarapense e, no ano seguinte, conseguem alforriar 116 escravizados. No ano seguinte, a Sociedade Cearense Libertadora, criada Antônio Bezerra de Menezes, Barão de Studart e João Cordeiro, famosos políticos na época, extingue a escravidão do estado. Eles também foram os fundadores do Instituto Histórico do Ceará (1887), sendo responsáveis diretos da história oficial do estado do Ceará.

A história de Redenção é recontada em diferentes museus e monumentos: Museu Histórico e Memorial da Liberdade, onde se encontrar os documentos oficiais relacionados ao período; Museu Senzala Negro Liberto, inaugurado em 2003 pela família então dona do estabelecimento. O Museu permite que visitantes “experienciem” como era estar em uma senzala, além de possuir todos os aparatos de tortura usado no período. O monumento Negra Lua se localiza na entrada da cidade, inaugurado em 1968, representa uma mulher negra está sentada em seus joelhos, com as mãos para cima como forma de agradecimento. Já o monumento Vicente Mulato traz a figura de um homem preto, em pé. Tanto Negra Nua quanto Vicente Mulato possuem correntes quebradas, mas não por eles, segundo a história oficial.
Todavia, é importante ressaltar que as histórias e memórias são atividades do presente, ou seja, maneiras que olhamos para o passado para entender o presente e almejar o futuro. Apesar do apagamento, sabe-se que o Ceará possui mais de 20 mil quilombolas. Esse dado demonstra que negros, escravizados e descendentes de africanos lutaram para terem sua liberdade e, por isso, o enorme quantitativo de seus descendentes espalhados pelo estado. Em 2010 a Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) foi inaugurada em Redenção justamente por sua história abolicionista. Através da educação, da pesquisa e do intercâmbio cultural de diferentes grupos, a história oficial pode ser recontada e trajetórias apagadas podem vir à tona. Exemplo disso, é o projeto audiovisual Redenção 2083. No curta, um homem negro que viaja no tempo e espaço chega em Redenção e se depara com os monumentos da cidade. Com sua presença, todos os monumentos são alterados.
Educação e arte são ferramentas e práticas fundamentais para que lidemos de forma crítica com nossas histórias e olhemos para um horizonte baseado na equidade racial e diversidade cultural.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o curta Redenção 2083 disponível no Vimeo: https://vimeo.com/935705404?msockid=0b925b8f5a0667423d2c4f665b1266d5
Fontes[editar | editar código-fonte]
Primeira cidade brasileira a acabar com escravidão guarda símbolos da luta pela abolição - G1: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2025/03/25/redencao-a-primeira-cidade-do-brasil-a-abolir-a-escravidao-vive-desafios-e-renascenca-negra.ghtml
Entre a "Negra Nua" e a "cidadania negra": notas etnográficas sobre identidade negra no nordeste do Brasil - Vera Rodrigues: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/48515/1/2017_capliv_vrrsilva.pdf