Comunidade Quilombola Invernada Paiol de Telha (Paraná): mudanças entre as edições

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As conquistas ocorreram após mais de século de luta e unificação da comunidade, mas isso não significa que tudo está garantido. Como afirmado pela quilombola Ana Maria Santos da Cruz, agora a luta é por políticas públicas que garantam uma maneira de viver digna: moradias, energia elétrica, saneamento básico e escolas ainda estão no horizonte de expectativa.
As conquistas ocorreram após mais de século de luta e unificação da comunidade, mas isso não significa que tudo está garantido. Como afirmado pela quilombola Ana Maria Santos da Cruz, agora a luta é por políticas públicas que garantam uma maneira de viver digna: moradias, energia elétrica, saneamento básico e escolas ainda estão no horizonte de expectativa.


Recomendação
== Recomendação ==
 
Assista os vídeos ‘Quilombo Paiol de Telha’ produzido pela Terra de Direitos: https://comunidadequilombolatiaeva.com.br/localizacao/https://www.youtube.com/playlist?list=PLd9ochstbzAyRZktRxlOFmPjGse24G2W6
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Fontes
== Fontes ==
 
Comunidade Quilombola Paiol de Telha - Terra de Direitos: https://terradedireitos.org.br/casos-emblematicos/comunidade-quilombola-paiol-de-telha/12527
Comunidade Quilombola Paiol de Telha - Terra de Direitos: https://terradedireitos.org.br/casos-emblematicos/comunidade-quilombola-paiol-de-telha/12527



Edição das 09h48min de 10 de novembro de 2025

Composição da População Não-Branca do Estado

População Total: 11.444.380 pessoas

População Parda: 30,06% da população

População Preta: 4,24% da população

População Quilombola: 7.113 pessoas

População Indígena: 30.466 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Comunidade Quilombola Invernada Paiol de Telha

A Comunidade Quilombola Invernada Paiol de Telha é a primeira comunidade quilombola reconhecida do estado do Paraná, em 2005. E, para esse reconhecimento, travou-se uma luta, ainda existente, por terra e dignidade.

Em 1866, Balbina Siqueira faz um testamento deixando sua fazenda, localizada no município de Reserva de Iguaçu, para onze de seus trabalhadores escravizados e suas famílias. No local, as famílias foram crescendo e as atividades agrícolas continuaram. Todavia, desde o final do século XIX, eles passaram por inúmeras tentativas de desapropriação e violência. Em 1895, Pedro Lustosa, sobrinho de Balbina, engloba o território, afirmando que as famílias deveriam ocupar uma área denominada Fundão. Mesmo que o testamento deixasse ambíguo a área ocupada, Lustosa utilizou-se desse fato para diminuir as terras que as famílias tinham por direito.

Mesmo no Fundão, a comunidade se organizava e se ajudava mutualmente: plantavam, colhiam, faziam festividades para santos e anjos. Em suma, viviam em harmonia com a natureza e entre si. As Recomendas, por exemplo, eram procissões de pessoas que iam de casa em casa para rezar pelas famílias e pessoas que já haviam partido. Esta ocorria normalmente durante a Quaresma. Já o Puxirão ocorria em novembro, nele havia mutirões para cuidar do roçado das comunidades, a forma de pagamento era a alimentação e os bailes que ocorriam durante a noite.

Já na década de 1960, a tentativa de expropriação aumenta: processos de grilagem, casas e pomares queimados... Diante de tanta violência, as famílias migram para cidade, a fim de trabalharem para sobreviver. Até hoje, grande parte das terras são ocupadas pela Cooperativa Agrária Agroindustrial Entre Rios cuja qual tentou barrar o INCRA de realizar a demarcação.

Sabendo que a terra era da comunidade por direito, em 1993, 63 famílias reocupam a terra, mas, novamente, são expulsos. Dois anos depois, como forma de reivindicação, eles formam o acampamento Barranco em frente à fazenda. O acampamento não possuía energia elétrica, banheiro e os barracos eram feitos de lonas. Se por um lado havia o medo da violência, por outro, havia a certeza na luta coletiva e por direitos já garantidos. Algumas famílias ficaram um ano, outras ficaram quinze anos no acampamento. Em 1998, algumas das famílias que ficaram no acampamento são assentadas pelo INCRA em uma fazenda na Colônia Socorro, no município de Guarapuava.

A luta da comunidade é amplamente divulgada nos noticiários e em 2005 Paiol de Telha recebe a certidão reconhecimento da Fundação Cultural Palmares. Somente em 2013 houve a primeira vitória judicial: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região vota, em unanimidade, pela continuidade da política de titulação dos territórios quilombolas. Esse resultado contribuiu para que, em 2019, Paiol de Telha se tornasse o primeiro território quilombola titulado no estado do Paraná.

As conquistas ocorreram após mais de século de luta e unificação da comunidade, mas isso não significa que tudo está garantido. Como afirmado pela quilombola Ana Maria Santos da Cruz, agora a luta é por políticas públicas que garantam uma maneira de viver digna: moradias, energia elétrica, saneamento básico e escolas ainda estão no horizonte de expectativa.

Recomendação

Assista os vídeos ‘Quilombo Paiol de Telha’ produzido pela Terra de Direitos: https://comunidadequilombolatiaeva.com.br/localizacao/https://www.youtube.com/playlist?list=PLd9ochstbzAyRZktRxlOFmPjGse24G2W6

Fontes

Comunidade Quilombola Paiol de Telha - Terra de Direitos: https://terradedireitos.org.br/casos-emblematicos/comunidade-quilombola-paiol-de-telha/12527

PR – Quilombolas da Invernada do Paiol de Telha: há mais de cem anos lutando por suas terras - Mapa de Conflitos: https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br/conflito/pr-quilombolas-da-invernada-do-paiol-de-telha-ha-mais-de-cem-anos-lutando-por-suas-terras/

Primeiro quilombo titulado no Paraná ainda luta por terra - Brasil de Fato: https://www.brasildefato.com.br/2019/11/20/primeiro-quilombo-titulado-no-parana-ainda-luta-por-terra/