Viola de Cocho (Mato Grosso): mudanças entre as edições
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A Viola de Cocho é instrumento central em duas manifestações culturais afro-indígenas presentes em Mato Grosso: o Cururu e o Siriri. | A Viola de Cocho é instrumento central em duas manifestações culturais afro-indígenas presentes em Mato Grosso: o Cururu e o Siriri. | ||
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Desde 2002, o Festival Cururu Siriri traz inúmeros grupos para as apresentações e espetáculos que duram três dias. O público alcança 30 mil pessoas anualmente. Assim, o Festival faz com que mais adeptos queiram participar e entender ambas as manifestações que são tão antigas quanto o estado de Mato Grosso. | Desde 2002, o Festival Cururu Siriri traz inúmeros grupos para as apresentações e espetáculos que duram três dias. O público alcança 30 mil pessoas anualmente. Assim, o Festival faz com que mais adeptos queiram participar e entender ambas as manifestações que são tão antigas quanto o estado de Mato Grosso. | ||
Dá para perceber que a Viola de Cocho é essencial em ambas manifestações e festividades. Então, vamos ao instrumento. | Dá para perceber que a Viola de Cocho é essencial em ambas manifestações e festividades. Então, vamos ao instrumento.[[Arquivo:Viola de cocho (48861727821).jpg|miniaturadaimagem|Viola de Cocho]] | ||
A Viola de Cocho é artesanal e os saberes de sua produção e feitura são transmitidas por mestres e artesãos para as futuras gerações. Não se sabe quando o instrumento foi criado, mas há registros históricos que remontam ao século XIX. | A Viola de Cocho é artesanal e os saberes de sua produção e feitura são transmitidas por mestres e artesãos para as futuras gerações. Não se sabe quando o instrumento foi criado, mas há registros históricos que remontam ao século XIX. | ||
Edição atual tal como às 12h51min de 3 de outubro de 2025

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 3.658.649 pessoas
População Parda: 56% da população
População Preta: 9,86% da população
População Quilombola: 11.729 pessoas
População Indígena: 58.356 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Viola de Cocho[editar | editar código-fonte]
A Viola de Cocho é instrumento central em duas manifestações culturais afro-indígenas presentes em Mato Grosso: o Cururu e o Siriri.
O Cururu faz parte do calendário católico onde se celebra as festas de santos padroeiros, como o Divino Espírito Santo e São Benedito. Durante as procissões, o Cururu é dançado e cantado por homens em roda na qual dois violeiros disputam versos e repentes. Os cantos narram os fatos bíblicos sobre os santos homenageados. A roda é composta por dez homens ou vinte homens e gira em sentido horário. Na dança, o pé direito dá um passo e o esquerdo encosta atrás, depois o pé direito encosta atrás e o esquerdo dá um passo, e assim por diante. Além da Viola de Cocho, são utilizados o ganzá ou carcachá, garfo e prato de ágata. Normalmente, as festividades ocorrem em junho e agosto.
O Siriri também faz parte das festas religiosas, mas os temas das músicas retratam a vida cotidiana, o trabalho, felicidade e amores. Ele também é conhecido como dança mensagem pois suas coreografias se referem ao respeito e amizade. O Siriri ocorria nas casas e quintais de familiares ribeirinhas e pobres e hoje faz parte do calendário cultural do estado. A dança, onde homens, mulheres e crianças podem brincar, é realizada em roda e fileiras em pares com todos batendo palmas e pés descalços no chão. A dança ocorre conforme os ritmos da Viola de Cocho, o ganzá e o mocho ou tamborim.
Desde 2002, o Festival Cururu Siriri traz inúmeros grupos para as apresentações e espetáculos que duram três dias. O público alcança 30 mil pessoas anualmente. Assim, o Festival faz com que mais adeptos queiram participar e entender ambas as manifestações que são tão antigas quanto o estado de Mato Grosso.
Dá para perceber que a Viola de Cocho é essencial em ambas manifestações e festividades. Então, vamos ao instrumento.

A Viola de Cocho é artesanal e os saberes de sua produção e feitura são transmitidas por mestres e artesãos para as futuras gerações. Não se sabe quando o instrumento foi criado, mas há registros históricos que remontam ao século XIX.
A Viola de Cocho é instrumento único no mundo, singular em sua forma, musicalidade e feitura, por isso não existem duas violas iguais: cada artesão tem sua peculiaridade, além de aplicar técnicas, segredos e estilo para se obter a melhor sonoridade.
O nome cocho vem da técnica de escavação da caixa de ressonância da viola em uma tora de madeira inteiriça. A produção da viola remete aos tempos que os homens utilizavam a natureza de forma não-predatória: as madeiras utilizadas na caixa, tampa, braço e cavalete, bem como os animais que eram utilizados para a produção de cola e cordas já não podem mais ser usados. Então, como a Viola de Cocho é cultura viva, outros materiais são utilizados, como cola industrial e linha de pesca. Apesar disso, as técnicas se mantêm: o corte, ou seja, a escolha da madeira, é feito durante a lua minguante e não pode conter nenhum nó. O desenho da viola é feito na madeira escolhida e, depois, se escava até que a caixa fica com um centímetro de espessura no fundo e laterais. O trabalho é manual para não se ter o perigo de quebrar a caixa.
Além disso, as violas podem ser decoradas com temas e animais do pantanal, com fitas de santos ou ficarem cruas e envernizadas.
A Viola de Cocho tem outra especificidade: o nome das cordas e a afinação. São cinco cordas: a primeira (de cima) se chama prima, seguida por contra, corda do meio, canótio e resposta. A viola é afinada de cima para baixo em dois modos: com o canótio solto (ré, lá, mi, ré, sol) ou com o canótio preso (ré, lá, mi, dó, sol).
Sua feitura carrega ancestralidade, saberes, tecnologias, história e herança afro-indígena. Por isso, desde 2005, o Modo de Fazer Viola de Cocho se torna Patrimônio Imaterial do Brasil.
Recomendação:[editar | editar código-fonte]
Assista Viola de Cocho Patrimônio Brasileiro, produzido pelo IPHAN: https://www.youtube.com/watch?v=etLAbO2UXaY&t=10s
Fontes[editar | editar código-fonte]
Cultura mato grossense: A ORIGEM DO SIRIRI E CURURU: https://culturamatogrosso.blogspot.com/2016/11/a-origem-do-siriri-e-cururu.html
Modo de fazer Viola-de-Cocho: https://www.youtube.com/watch?v=4NIz5ClzgRY&t=68s