Tambor de Crioula (Maranhão): mudanças entre as edições
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O Tambor de Crioula está presente em vários municípios do estado do Maranhão. Ele é uma manifestação de matriz africana realizado em roda na qual mulheres e crianças dançam, homens tocam tambores e todos cantam toadas. É dança, diversão e louvação a santos. Apesar de invocar os santos padroeiros louvados por pessoas negras, ele não tem um calendário específico, podendo acontecer durante todo ano em eventos como a Festa do Boi, carnaval, São João, entre outros. | O Tambor de Crioula está presente em vários municípios do estado do Maranhão. Ele é uma manifestação de matriz africana realizado em roda na qual mulheres e crianças dançam, homens tocam tambores e todos cantam toadas. É dança, diversão e louvação a santos. Apesar de invocar os santos padroeiros louvados por pessoas negras, ele não tem um calendário específico, podendo acontecer durante todo ano em eventos como a Festa do Boi, carnaval, São João, entre outros. | ||
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Não se sabe a origem, mas há registros do Tambor de Crioula desde o século XIX, sendo uma forma de lazer de escravizados e pessoas negras livres, bem como uma forma de resistência à violência colonial. | Não se sabe a origem, mas há registros do Tambor de Crioula desde o século XIX, sendo uma forma de lazer de escravizados e pessoas negras livres, bem como uma forma de resistência à violência colonial. | ||
Edição atual tal como às 09h24min de 10 de novembro de 2025

Composição da População Não-Branca do Estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 6.776.699 pessoas
População Parda: 66,39 % da população
População Preta: 12,61 % da população
População Quilombola: 269.168 pessoas
População Indígena: 57.166 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Tambor de Crioula[editar | editar código-fonte]
O Tambor de Crioula está presente em vários municípios do estado do Maranhão. Ele é uma manifestação de matriz africana realizado em roda na qual mulheres e crianças dançam, homens tocam tambores e todos cantam toadas. É dança, diversão e louvação a santos. Apesar de invocar os santos padroeiros louvados por pessoas negras, ele não tem um calendário específico, podendo acontecer durante todo ano em eventos como a Festa do Boi, carnaval, São João, entre outros.

Não se sabe a origem, mas há registros do Tambor de Crioula desde o século XIX, sendo uma forma de lazer de escravizados e pessoas negras livres, bem como uma forma de resistência à violência colonial.
A confecção dos tambores segue os saberes tradicionais: orientada pelas fases da lua, o artesão seleciona na mata o tipo de madeira que será utilizada, podendo ser troncos de pau d’arco, mangue, pequi ou sororó. O meio da peça é escavado para se modelar o formato do terno do tambor. Após a escavação, a extremidade mais larga da peça é encoberta com couro de vaca, égua ou veado. Depois da confecção, há o batismo ou o preparo da nova aparelha de tambores.
O ritmo do Tambor de Crioula é específico e representa um processo de aprendizado. Ele é contínuo e dado pelo tambor meião que pode ser considerado a pulsação do Tambor de Crioula. O crivador é um tambor pequeno que faz o contraponto ao meião. Já o tambor grande faz o solo e improviso que acentua e marca o diálogo entre os outros dois tambores.
As toadas, ou canções, seguem o padrão poético dos cânticos africanos, ou seja, os versos são formados por quadras ou dísticos e com a presença de refrão. São inúmeras as toadas, algumas cantadas há mais de um século. Em geral, elas abordam assuntos como saudações, descrição de fatos, pessoas, memórias, amor, despedidas, sátiras, referência a santos e entidades protetoras.
Ao iniciar o cântico, após os primeiros toques dos tambores, o cantador puxa a toada completa e parte dela é repetida pelos integrantes dançantes e que assistem formando o refrão. Depois, nos intervalos das repetições, o cantador traz o improviso para a toada sobre os mais diferentes temas.
A umbigada também é elemento fundamental no Tambor de Crioula. Ela serve como saudação, brincadeira e convite para entrar na roda. Nesse sentido, ela é a principal característica da dança no Tambor. É um gesto ancestral presente em outras manifestações culturais de matriz africana.
É possível observar algumas mudanças no Tambor de Crioula, o que evidencia suas ressignificações ao longo das próprias mudanças sociais: alguns tambores são feitos com cano PVC devido à proibição de desmatamento e preservação ambiental, algumas mulheres também passaram a tocar tambor. Em algumas regiões, o Tambor de Crioula é tocado e dançado apenas por homens, e Tambor tocado e dançado apenas por travestis. Isso nos mostra o poder agregador e plural do Tambor de Crioula.
Atualmente há mais de duzentos grupos de Tambor de Crioula no estado do Maranhão, localizados, em sua maioria, em bairros periféricos. Também é possível encontrá-lo em outras regiões do Brasil, o que evidencia as trocas significativas, intercâmbios culturais e importância histórica. Desde 2007, o Tambor consta no Livro das Formas de Expressão do IPHAN e é considerado Patrimônio Cultural do Brasil.
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o minidocumentário produzido pelo IPHAN sobre o Tambor de Crioula: https://www.youtube.com/watch?v=ssQhokl2gf0
Fontes[editar | editar código-fonte]
Plano de salvaguarda do bem cultural registrado (Tambor de Crioula do Maranhão): https://bcr.iphan.gov.br/documentos-do-process/plano-de-salvaguarda-do-bem-cultural-registrado-tambor-de-crioula-do-maranhao/
Tambor de Crioula: a tradição secular que se mantém viva e em expansão - G1: https://g1.globo.com/ma/maranhao/carnaval/2020/noticia/2020/02/19/tambor-de-crioula-a-tradicao-secular-que-se-mantem-viva-e-em-expansao.ghtml