Maracatu Nação (Pernambuco)
Composição da população não-branca do estado
População Total: 9.058.931 pessoas
População Parda: 55,27% da população

População Preta: 10,04% da população
População Quilombola: 78.864 pessoas
População Indígena: 106.646 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Maracatu Nação (Maracatu de Baque Virado)
O Maracatu Nação, ou Maracatu de Baque Virado, é uma manifestação cultural de matriz africana que tem suas origens nas periferias de Recife e, hoje, é conhecida internacionalmente. As apresentações de maracatu são denominadas cortejos reais por remeterem às cortes reais de Congo. Cada Nação, ou seja, grupo de maracatu, tem suas próprias loas (canções), baque (maneira de tocar) e patronos (normalmente orixás).
Todavia, eles são compostos de maneira similar. As personagens que compõem o cortejo são: Porta-estandarte (que leva o estandarte com a bandeira da Nação), Dama do passo (mulher responsável por carregar a força e identidade da Nação representada pela boneca calunga), Rei e Rainha (Figuras importantes, é por isso que o cortejo/coroação ocorre), Vassalo (Responsável por levar o pálio) e Damas da Corte. Além disso, há os batuqueiros que tocam os seguintes instrumentos: agbê/xequerê, caixa, gonguê, alfaias, entre outros.

A maioria dos registros jornalísticos e históricos remontam o Maracatu Nação desde o século XIX, mas provavelmente suas origens são anteriores. O Maracatu Elefante, por exemplo, é um dos mais antigos que se tem registro: ele é fundado ele 1800. A coroação dos Reis e Rainhas ocorre por consanguinidade, por causa disso, todos os trajes, instrumentos e objetos (inclusive o elefante que representava a Nação) foram doados para o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. Atualmente, todo esse material rico sobre a história do Maracatu Nação encontra-se no Museu do Homem do Nordeste e na Fundação Joaquim Nabuco.
Atualmente, o maracatu é uma das manifestações culturais e define o carnaval da cidade de Recife. A Noite dos Tambores Silenciosos reúne diferentes grupos e Nações de Maracatu no Pátio do Terço para louvar Nossa Senhora do Rosário, protetora das pessoas negras. A Noite é ponto alto do carnaval de Recife e representa o sincretismo: além de louvar a Santa, os orixás e entidades são homenageados pelas Nações.
Apesar da importância histórica e cultural, de tempos em tempos, os grupos sofrem intolerância religiosa e discriminação. Como forma de denúncia, a Nação Porto Rico tem a música 13 de Maio. A música retrata o apagamento das origens africanas que não aprendemos e porque o dia 13 de Maio é considerado uma farsa. Para Assistir, acesse: Nação do Maracatu Porto Rico - 13 de Maio.
Ainda assim, o Maracatu pode ser visto como uma comunidade onde se compartilha saberes, tecnologias, histórias, culturas e religiosidades. O Mestre Carlos Santos, da Nação Cambinda Estrela, explica que muitos jovens da periferia, em certo momento da vida, ficam “balançando entre o bem e o mal” devido às poucas oportunidades. E o Maracatu é um dos caminhos onde se encontra arte, cultura e educação. Nesse sentido, os Maracatus, além das loas, danças e batuques, é feito por pessoas dispostas a se ajudarem mutualmente.
Desde a década de 1990, o maracatu foi reconhecido no Brasil e no mundo devido ao cantor Chico Science e a banda Nação Zumbi. Suas músicas misturam maracatu, coco e guitarras. Em 2014, o Maracatu Nação recebe o título de Patrimônio Cultural e Imaterial pelo IPHAN, o que evidencia sua importância cultural, social e histórica. Em 2015 havia 28 nações de maracatu, além de 66 grupos, no estado de Pernambuco, 28 grupos em outros estados, e 28 no exterior. Atualmente, são incontáveis.
Recomendação
Assista o documentário Maracatu Nação, produzido pelo IPHAN: https://www.youtube.com/watch?v=uX5wx0hycwg&t=392s
Fontes
Maracatu Elefante - Pesquisa Escolar (FUNDAJ): https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/maracatu-elefante/
Maracatu Nação no Repositório Digital de Bens Culturais Registrados (BCR): https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/maracatu-nacao/
Vista do As “origens” dos Maracatus-Nação do Recife: uma história linear e sem transformações? (Revista Tempo&Argumento): https://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180311272019255/10263