Suça (Tocantins)

Composição da População Não-Branca do Estado
População Total: 1.511.460 pessoas
População Parda: 62,14% da população
População Preta: 13,19% da população
População Quilombola: 13.077 pessoas
População Indígena: 20.023 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Suça
A Suça, também chamada de Súcia, Sussa e Sússia, é manifestação cultural de matriz africana que tem o batuque como alicerce. É herança artística presente em Tocantins e Goiás desde o período da escravidão. É possível que sua presença em ambos estados devido às rotas de fuga de escravizados em busca de liberdade. Em Tocantins, ela ocorre em Arraias, Natividade, São Valério, Peixe, Paranã e Conceição do Tocantins.

A Suça é composta por ritmos de violas e tambores feitos de troncos ocos e pele de animais – por isso a necessidade da fogueira para a afinação -, dança – realizada em duplas no centro da roda, cujas marcações são feitas com o pé, com movimentos circulares no próprio eixo do corpo e, em algumas comunidades, umbigadas - e cantoria – cujas músicas ressaltam as belezas naturais, cotidiano, fé e devoção, e algumas possuem duplo sentido.
O auge da Suça é o momento da jiquitaia na qual homens e mulheres igualam seus movimentos dançantes à música sobre uma formiga. Todos dançam procurando ou tirando as formigas imaginárias que garante o divertimento e risadas de todos que participam e assistem:
A formiga que dói é jiquitaia
Ela morde, ela coça
Ela esconde na palha
Ela morde no pé e debaixo da saia
A formiga que dói é jiquitaia
A origem da jiquitaia refere-se a constante presença de formigas presentes nas senzalas. Nesse sentido, a dança e cantoria remete às narrativas sobre um passado que é ressignificado constantemente em nossa história através da cultura, arte e rememoração.
Em algumas regiões, como Natividade, a Suça faz parte das Festas do Divino. No domingo de Páscoa, inicia-se o Giro de Folias, com duração de quarenta dias. Três Folias ficam responsáveis por traçar três rotas nas quais se visitam casas dos devotos, fazem rezas, beijam as bandeiras de santos, recolhem donativos e se alimentam juntos. Logo após, os tambores são afinados e a Suça se inicia, caso os donos da casa queiram.
Esses quarenta dias é chamado de Encontro das Folias e é finalizado na Praça da Igreja Matriz onde todas as Folias se encontram no dia da Ascenção de Cristo. No sábado ocorre o deslocamento da Mastro para a Igreja Matriz. A Suça é responsável por abrir caminho para o Mastro e reverenciar cada Cruzeiro que compõe as diferentes Folias. Ela é acompanhada por sanfonas, zabumba, triângulo e uma multidão. Ao final, se solta fogos de artifício, dançam Suça, se alimentam e bebem.
Os movimentos da dança, os ritmos e instrumentos nos possibilitam conectar a Suça com o Jongo do Sudeste e o Tambor de Crioula do Maranhão, o que evidencia ramificações culturais de matriz africana em todo o território brasileiro. Ao mesmo tempo, é necessário um olhar atento para se entender as especificidades históricas, culturais e regionais de cada uma delas.
Recomendação
Assista "Suça é mais que dança, é história!" no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=kRe7i5ty6pQ
Fontes
Manifestações culturais presentes no Tocantins revelam herança afro - Governo do Tocantins: https://www.to.gov.br/secom/noticias/manifestacoes-culturais-presentes-no-tocantins-revelam-heranca-afro/5d1wx0jt583b
A Suça em Natividade: Festa, batuque e ancestralidade - Eloisa Marques Rosa: https://repositorio.bc.ufg.br/tedeserver/api/core/bitstreams/608c0e91-b44e-43fc-9688-7d49dfbb1ac7/content#page=48&zoom=100,109,251
Suça: conheça música e dança que celebram cultura afrobrasileira e levantam temas como racismo e intolerância religiosa - G1: https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2024/11/20/suca-conheca-musica-e-danca-que-celebram-cultura-afrobrasileira-e-levantam-temas-como-racismo-e-intolerancia-religiosa.ghtml