Catumbi (Santa Catarina)

De Diaspedia
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Composição da População Não-Branca do Estado

População Total: 7.610.361 pessoas

População Parda: 19,22 % da população

População Preta: 4,07 % da população

População Quilombola: 4.449 pessoas

População Indígena: 21.773 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Catumbi

O Catumbi, ou também Cacumbi e Ticumbi, é manifestação cultural e religiosa de matriz africana presente em diferentes localidades do litoral de Santa Catarina. Tal manifestação está presente, sobretudo, na Comunidade Quilombola Itapocu, em Araquari. Como diferentes manifestações de matriz africana que surgem no último século da escravização, o Cacumbi também tem como base a devoção e louvação à de Nossa Senhora do Rosário.

Nossa Senhora do Rosário, assim como São Benedito e Santo Expedito, são partes do panteão de santos católicos protetores das pessoas negras. Por isso, eles são centrais no fortalecimento comunitário e resistência frente a opressão e reverenciados em culturas de matriz africana.

Ao mesmo tempo, o Catumbi nos remete às festas em homenagem aos reis e rainhas de Congo, algo também presente em outras manifestações espalhadas no Brasil. Nesse sentido, também lhe faz parte a coroação de reis e rainhas e o cortejo com a corte imperial, além das danças com espadas, tambores, bandeiras e toadas e, claro, trajes coloridos, com flores e fitas. Dessa maneira, o Catumbi mescla religiosidade, encenação de rituais históricos de coroação, ritmos, canções que representam as memórias de antepassados e, claro, brincadeira e diversão.

Se, durante a escravização, as festividades ocorriam como uma maneira de negociar lazer e devoção católica aos olhos da sociedade colonizadora, no início do século XX, as coisas mudam. A Igreja Católica passa por uma reestruturação na sociedade catarinense para centralizar o poder sobre como praticar a fé nas mãos dos Bispos que, por sua vez, também estavam alinhados a uma visão pejorativa e negativa relacionada aos negros. Prova disso é que em 1912, fora enviado um abaixo-assinado que continha vinte e cinco assinaturas de “homens de cor” – termo utilizado no período para se referir aos negros e afrodescendentes -, para a diocese de Florianópolis cujo responsável era Dom João Becker. O abaixo-assinado pedia para que a Paróquia voltasse a respeitar a prática anual de louvação de Nossa Senhora do Rosário e festejos de coroação, dança e batuque. A prática havia sido banida por dez anos e não se sabe se naquele ano ela voltara a ser parte do calendário católico.

Nesse sentido, a proibição acima demonstra a tentativa de apagamento das contribuições culturais e religiosas da comunidade negra no estado. Ao mesmo tempo, demonstra como as possíveis negociações fortaleceram essas manifestações fazendo com que até hoje elas permanecessem vivas.

Somente em 2018, a Fundação Catarinense de Cultura registra a Dança de Catumbi como Patrimônio Cultural de Santa Catarina, sendo o primeiro que diz respeito à cultura matriz africana do estado. Ou seja, apesar da tentativa constante de apagamento, também há o reconhecimento e proteção de tal prática, o que lhe garante proteção de memórias culturais, afetivas e históricas. Ainda assim, se faz necessário (re)conhecer outras práticas.

Recomendação

Assista "Catumbi - Uma tradição Negra" disponível no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=GAT_T2MUhso

Fontes

"Brincadeiras de negro": religiosidade e performance nas práticas do Cacumbi em comunidades afro-brasileiras - Roselete Fagundes de Aviz: https://revistas.udesc.br/index.php/percursos/article/view/1984724619392018128/pdf_1

Catumbi em terra de branco: Resistência e africanidade na Santa Afro-Catarina - Willian Muller: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/10701/1/Willian%20M%c3%bcller.pdf