Samba Reggae (Bahia)

De Diaspedia
Revisão de 08h59min de 27 de outubro de 2025 por Carolina Melo (discussão | contribs) (inserção de texto)
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)

Composição da População Não-Branca do Estado

População Total: 14.141.626 pessoas

População Parda: 57,31 % da população

População Preta: 22,38 % da população

População Quilombola: 397.502 pessoas

População Indígena: 229.443 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Samba-Reggae

O Samba-reggae é ritmo que tem sua origem no bairro histórico do Pelourinho, em Salvador (BA). Criado de experimentações musicais espalhadas por Brasil e Caribe, ele é um dos caminhos mais abrangentes para a re-africanização de Salvador.

O nome mais reconhecido para essa criação é o do Neguinho do Samba que, durante a década de 1980, fora mestre do bloco Olodum e passara a implementar algumas mudanças ritmas, de uso de instrumentos e de comportamento.

Neste período, o bairro do Pelourinho era ocupado por pessoas negras que moravam em casarões coloniais abandonados. O bairro esquecido pelas políticas públicas era visto como um lugar perigoso e de criminalidade por ser um “bairro de negro”. Todavia, a comunidade local provava sua criatividade, solidariedade e perseverança e o Samba-reggae representa isso.

Morando no Pelourinho, Neguinho do Samba passa a realizar ensaios diários nas ruas do bairro. Algumas de suas regras para a participação se referiam à educação e preservação do Pelô: era obrigatório atestado de matrícula de crianças e jovens em escolas, além disso, os participantes deveriam cuidar das ruas, becos e vielas do bairro. Ele também tinha um diálogo aberto com responsáveis, lideranças civis e organizações, sendo criado um senso de pertencimento e valorização entre os moradores.

Desde o começo, os ensaios chamavam a atenção dos que passavam e dos que ali moravam o que criou um ambiente potente para experimentações. Mudanças na maneira de tocar, no formato e material dos instrumentos, nas baquetas e as performances foram perceptíveis: houve a inclusão de uma segunda baqueta e a introdução do vime para o repique. Instrumentos como guitarras (ou violas elétricas), maracas, pandeiros e agogôs também foram inseridos. O tamanho dos surdos foi diminuído em comparação aos das escolas de samba e as peles de animais foram substituídas por materiais de polietileno. Além disso, os garotos passaram a produzir suas baquetas para o surdo com cabos de vassoura, cola, cordão e espuma em um centímetro.

A valorização da estética negra e africana positivaram o bairro e seus moradores, dreadlocks, tranças, turbantes, estamparias africanas e outros foram elementos que compunham os ritmos e elevavam a autoestima. Outro ponto de suma importância são as letras que acompanhavam o ritmo. A música mais famosa é Faraó (Divindade do Egito) interpreta por Margareth Menezes:

[Verso 1]

Deuses, divindade infinita do universo

Predominante esquema mitológico

A ênfase do espírito original

Exu formará no eden um novo cósmico

A emersão, nem Osíris sabe como aconteceu

A emersão, nem Osíris sabe como aconteceu

A ordem ou submissão do olho seu

Transformou-se na verdadeira humanidade

Epopéia do código de Guebi e Nuti gerou as estrelas

Osiris proclamou matrimônio com Isis

E o mau Seth Hiradu o assassinou

Impera-ar Horus levando avante a vingança do pai

Derrotando o império do mal Seth

O grito da vitória que nos satisfaz


[Pré-Refrão]

Cadê Tutancamom

Hei Gize, Akhaenaton

Hei Gize, Tutancamom

Hei Gize, Akhaenaton

E eu falei faraó


[Refrão]

Ê faraó, eu clamo Olodum pelourinho

Ê faraó, pirâmide da paz e do Egito

Ê faraó, eu clamo Olodum pelourinho, ê faraó

E mara mara mara, maravilha ê

Egito, Egito ê

E mara mara mara, maravilha ê

Egito Egito ê

Faraó, faraó, faraó, faraó


[Verso 2]

Pelourinho, uma pequena comunidade

Que porém Olodum uniu em laço de confraternidade

Despertai-vos para cultura egípcia no brasil

Em vez de cabelos trançados

Veremos turbantes de Tutacamom

E as cabeças se enchem de liberdade

O povo negro pede igualdade

Deixando de lado as separações


[Pré-Refrão]

Cadê Tutancamom

Hei Gize, Akhaenaton

Hei Gize, Tutancamom

Hei Gize, Akhaenaton

E eu falei faraó


[Refrão]

Ê faraó, ê faraó

Eu clamo Olodum pelourinho, ê faraó

E mara mara mara, maravilha ê

Egito, Egito ê

E mara mara mara, maravilha ê

Egito Egito ê

Faraó, faraó, faraó, faraó


A letra nos leva aos deuses africanos do antigo Egito, nos traz Exu – orixá fundamental para a comunicação entre os seres humanos e Orixás -, e clamor pela liberdade. A arte e cultura, novamente, são essenciais para recontar histórias e criar conexões positivas que o colonialismo tentou usurpar.

Além de influenciar grupos e artistas de renome, como o próprio Olodum, o Araketu, Ivete Sangalo e Daniela Mercury, o Samba-reggae é conhecido em todo o globo: em 1996, Michael Jackson lançou a música They Don’t Care About Us com o Olodum e o videoclipe foi gravado no Pelourinho, o ícone do reggae, Jimmy Cliff, lançou músicas com o ritmo no mesmo período e, além disso, o Olodum ganhou o Grammy na categoria World Music em 1991.

Hoje, o Pelourinho é reconhecido como ponto turístico principal da capital, reduto de artistas, ativistas e transeuntes brasileiros e estrangeiros com cedo de conhecimento histórico, cultural e social.

Fontes

Samba-reggae: Dez anos após morte do mestre Neguinho do Samba, gênero segue como pilar do carnaval de Salvador | Carnaval 2020 na Bahia | G1: https://g1.globo.com/ba/bahia/carnaval/2020/noticia/2020/02/16/samba-reggae-dez-anos-apos-morte-do-mestre-neguinho-do-samba-genero-segue-como-pilar-do-carnaval-de-salvador.ghtml

“Sou o sol da Jamaica, sou a cor da Bahia” O samba-reggae como atlântico negro baiano: https://www.geledes.org.br/sou-o-sol-da-jamaica-sou-a-cor-da-bahia%c2%b9-o-samba-reggae-como-atlantico-negro-baiano%c2%b2/

A história do samba-reggae - Revista Raça Brasil: https://revistaraca.com.br/a-historia-do-samba-reggae/