Carimbó - Pará

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]
População Total: 8.120.131 pessoas
População Parda: 69,87 % da população
População Preta: 9,77 % da população
População Quilombola: 135.603 pessoas

População Indígena: 80.980 pessoas
Fonte: IBGE 2022
Carimbó[editar | editar código-fonte]
O carimbó é tão antigo quanto o próprio estado do Pará, mas, como qualquer manifestação cultural, é difícil traçar uma origem. Apesar da dificuldade, observamos que já havia perseguição policial no século XIX: Em 1880, o então conhecido Grão-Pará, proibia tocar tambor e corimbo sob pena de 30.000 réis de multa. Em 1883, também foi criada uma lei que proibia tocar tambor, corimbo ou qualquer outro instrumento de percussão.
O primeiro significado de carimbó remete a um tambor de origem africana. Mas, também é associado às danças e ritmos presentes em todo o estado do Pará. Em tupi, korimbó pode significar “pau furado que produz som”. Referente à sua origem, o importante é ressaltar como essas histórias são contadas e recontadas, ou seja, imaginadas pelos próprios praticantes.
Por exemplo, muitos acreditam que sua origem se deu nos barracões da Vila Chata, comunidade negra, em Maracanã. Outros acreditam que o carimbó começa no Bairro Alto, em Curuça, também formado por negros. Muitos também associam sua origem com as festividades de santos católicos que acontecem no final do ano. Especificamente, São Benedito, santo negro, considerado santo do Carimbó e protetor de negros, indígenas e desafortunados. E mais, a história do carimbó está associada aos lavradores, pescadores, agricultores, ou seja, os homens comuns que se dedicaram à composição de letras, feitura de instrumentos, entre outros que mantem até hoje o carimbó vivo e vivendo.
O carimbó é tocado pelos tambores, afoxé, banjo, flauta, ganzá, maracá, pandeiro e maracá. Para as apresentações, as mulheres utilizam saias volumosas, rodadas e coloridas. A dança é feita por pares que dançam em roda. Os rapazes convidam as moças para dançar batendo palmas na frente delas e elas, por sua vez, fazem movimentos giratórios e tentam cobrir os rostos de seus pares com a saia. Os passos são marcados com o pé à frente do corpo.
No cotidiano, o carimbó pode ser tocado e dançado na rua, nas casas, ou em qualquer lugar, e pessoas de diferentes idades e origens são convidadas, pelos ritmos e letras contagiantes, a participarem das rodas. O carimbó é a celebração da felicidade e da vida. Na verdade, das vidas. Em entrevista ao G1, a artista trans Iris da Selva relata que os mestres de batuque que lhe abriram as portas para que ela pudesse ser artista.
O carimbó é tão importante que se tornou base para outros ritmos como a guitarrada e tecnobrega. Hoje se mescla instrumentos de sopro e metais. E, ao mesmo tempo, muitos grupos constroem seus próprios instrumentos com materiais reciclados. O que evidencia as modificações dentro do carimbó, e sua importância histórica, cultural e ambiental.
O carimbó é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro desde 2014 e anualmente é comemorado o Dia Municipal do Carimbó em Belém, em 26 de agosto, e Dia Estadual do Carimbó, no dia 3 de novembro.
Você sabia? As conexões culturais entre as pessoas negras não se limitam às fronteiras dos estados e países. Segundo o artista Saulo Duarte, o carimbó é um primo próximo de um ritmo muito famoso no Caribe, o kuduro. Assista a entrevista completa aqui: https://www.youtube.com/watch?v=poalXIQcgo4&t=2s
Recomendação[editar | editar código-fonte]
Assista o documentário Carimbó produzido pelo IPHAN: https://www.youtube.com/watch?v=7ReTS09_PpQ&t=85s
Fontes[editar | editar código-fonte]
Inventário Nacional de Referências Culturais sobre o Carimbó (em PDF): http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Invent%c3%a1rio%20Nacional%20de%20Refer%c3%aancias%20Culturais%20sobre%20o%20Carimb%c3%b3.pdf
'O carimbó é a origem de tudo: guitarrada, lambada, tecnobrega': artistas destacam o ritmo como a célula fundamental do som do Norte | Pará | G1: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2024/08/26/dia-do-carimbo-nascido-da-cultura-indigena-e-africana-ritmo-simbolo-da-amazonia-e-elo-entre-geracoes-de-artistas-do-para.ghtml