Coco de Zambê (Rio Grande do Norte)

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Mapa do Brasil com Rio Grande do Norte em destaque

Composição da população não-branca do estado[editar | editar código-fonte]

População Total: 3.302.729 pessoas

População Parda: 50,9 % da população

População Preta: 9,17 % da população

População Quilombola: 22.371 pessoas

População Indígena: 11.724 pessoas

Fonte: IBGE 2022

Coco de Zambê[editar | editar código-fonte]

O Coco de Zambê, também conhecido como Zambé e Pau Furado, é uma prática cultural presente no estado do Rio Grande do Norte. Sua origem remonta à região litorânea de Timbau do Sul onde há a comunidade quilombola de Sibaúma. O Zambê está profundamente conectado com a história de Sibaúma.

A comunidade quilombola tem mais de quatrocentos anos. Segundo moradores, ela é criado quando um navio de tráfico de escravizados naufraga na região. Os sobreviventes conseguem chegar à costa potiguar e criam a comunidade que hoje possui 900 habitantes e é reconhecida como quilombola pela Fundação Palmares desde 2005.

O primeiro registro que se tem do Zambê data de 1903 no jornal “A República” no qual há uma reclamação do chamado “samba” que ocorria aos sábados promovidos pelos chamados “vadios” que ameaçavam a segurança e higiene pública do local. Nota-se que o jornal do estado repudiava o Zambê, como ocorrera com inúmeras outras manifestações de matriz africana, além de vê-lo como uma ameaça aos “bons costumes” da época.

Todavia, um olhar atento nos possibilita olhar a riqueza de Zambê, bem como sua importância local. O Zambê é iniciado com uma fogueira que serve para aquecer e afinar os tambores. O principal é o jambê que garante a marcação. Os tambores são feitos da árvore timbaúba. Além deles e de outros, há a lata e o caxixi.

A dança é o que mais chama atenção devido a criatividade e improviso dos brincantes. Os movimentos se assemelham à capoeira e ao frevo, mas apesar das similaridades há diferenças: a dança inclui giro, agachamento, flexões de perna e braço, torções, ou seja, dança representa agilidade e sensualidade. Ela também representa a liberdade para o indivíduo se expressar do jeito que quer. Antes apenas homens e meninos eram permitidos dançar, mas é possível ver atualmente que mulheres estão cada vez mais fazendo parte da brincadeira.

Antigamente, a Zambê ocorria como forma de comemoração das boas colheitas. Hoje ele faz parte da identidade local e é vivido por diferentes gerações do quilombo e, até fora dele. Tanto o Zambê, quanto a capoeira e as celebrações do 20 de Novembro fazem parte do calendário de celebração, educação e cultura da comunidade que passa seus conhecimentos e saberes para as futuras gerações.

Atualmente a comunidade luta para que ocorra a demarcação de suas terras e preservação do meio ambiente devido às inúmeras tentativas de compra de terras e construção de empreendedorismo predatório na região.

Recomendação[editar | editar código-fonte]

Assista o documentário “Herdeiros de Zumbi”. Herdeiros de Zumbi - Sibaúma RN: https://www.youtube.com/watch?v=G0YgQTrmiLQ&ab_channel=RicardoAmaral

Fontes[editar | editar código-fonte]

Danças Brasileiras – Coco Zambê - #Brincanteemcasa: https://www.youtube.com/watch?v=eX9KqboDwxo

Criada após naufrágio de navio negreiro, comunidade quilombola resgata raízes culturais no RN | Rio Grande do Norte | G1: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/criada-apos-naufragio-de-navio-negreiro-comunidade-quilombola-resgata-raizes-culturais-no-rn.ghtml

Quilombo Sibaúma: a tradição do coco de Zambê e os herdeiros de Zumbi: https://memoria.ifrn.edu.br/handle/1044/2328?show=full

Coco de Zambê, uma brincadeira dançante - Afreaka: http://www.afreaka.com.br/notas/coco-de-zambe-uma-brincadeira-dancante/