Dia Nacional pelo Cadomble, Afro-Uruguaiana Cultura e Igualdade Racial
Autora: Carolina Melo
O Dia Nacional do Candombe, da Cultura Afro-Uruguaia e da Equidade Racial é celebrado no Uruguai em 3 de dezembro. Essa data foi instituída pela Lei n.º 18.059, aprovada em 2006, e representa um marco crucial no reconhecimento da significativa contribuição da população afrodescendente para a formação da identidade uruguaia. A escolha do dia 3 de dezembro remete a um evento simbólico de resistência: em 1978, sob a ditadura militar, os tambores do candombe, manifestação cultural de raiz africana, foram tocados espontaneamente pela última vez no histórico Conventillo Mediomundo, em Montevidéu, antes de sua demolição, um ato de apagamento cultural por parte do regime.
O Candombe, com seus ritmos pulsantes e danças expressivas, é o coração da cultura afro-uruguaia, reconhecido inclusive como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. As celebrações do Dia Nacional são marcadas por desfiles de "comparsas" (grupos de candombe), especialmente nas ruas dos bairros Sur e Palermo, em Montevidéu, onde os tambores chico, repique e piano ecoam, criando uma atmosfera de festa e união. Além das chamadas de candombe, o dia inclui exposições, palestras e atividades educativas que visam aprofundar o conhecimento sobre a história e as tradições afro-uruguaias.
Mais do que uma festividade, o 3 de dezembro é um dia de reflexão sobre as lutas históricas da comunidade afro-uruguaia contra o racismo e a discriminação, e pela busca contínua por equidade racial. A instituição deste dia simboliza um avanço significativo na política de inclusão do Uruguai, desafiando a narrativa de uma sociedade "sem raça" e promovendo o reconhecimento da diversidade étnica como um pilar fundamental da nação. É uma oportunidade para fortalecer a identidade e a visibilidade da população afro-uruguaia, garantindo que suas vozes e contribuições sejam valorizadas e respeitadas.