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[[Arquivo:Paraíba in Brazil (1889).svg.png|miniaturadaimagem|Mapa do Brasil com Paraíba em destaque]] == Composição da população não-branca do estado == População Total: '''3.974.687''' pessoas População Parda: '''55,55 %''' da população População Preta: '''7,96 %''' da população População Quilombola: '''16.765''' pessoas População Indígena: '''30.140 pessoas''' [[Arquivo:Foto de repente (281625785).jpg|miniaturadaimagem|Batalha de repente em uma via pública]] Fonte: IBGE 2022 == Repente == O repente é um diálogo, ou batalha, poético em que dois repentistas se alternam cantando estrofes improvisadas. Falar sobre repente também é falar de cordel: ele é a poesia popular impressa. Nesse sentido, o repente e o cordel compartilham a argumentação melódica que tem o importante papel de facilitar a partilha de pensamentos e ideias, além de criar narrativas, opiniões sobre fatos cotidianos. A particularidade do repente é o improviso e o acompanhamento de instrumentos, como o violão e, algumas vezes, o pandeiro. Durante o século XIX, devido às altas taxas de analfabetismo e pobreza (causadas por séculos de colonização e exploração), os repentes e cordéis também tinham papel jornalístico e narravam os acontecimentos locais e globais. Mais do que isso, havia liberdade de informar, mas também criticar, concordar e questionar as notícias. Ambos são a arte de contar história em toda a região do Nordeste. Mas aqui vamos focar em Inácio da Catingueira e sua peleja com Romano da Mãe D´Água, que ocorre na cidade de Patos, Paraíba, em 1874. O primeiro nasce e morre escravizado (ele falece quase uma década antes da abolição da escravidão). O segundo, sendo o oposto do primeiro, nasce é de família de fazendeiros e senhores de escravos. Segundo os cordéis da época, a peleja ocorre durante 8 dias. O pano de fundo da peleja fora a escravidão. Nesse sentido, ela fora utilizada tanto para demonstração de poder de Romano quanto para crítica social de Inácio. Vejamos alguns trechos a seguir: <blockquote>''Prá gente da sua côr'' ''Sou pior que canguçu'' ''Rasgo, estraçalho e devoro'' ''Mato negro e como cru''</blockquote> Romano demonstra poder se comparando à canguçu, onça feroz típica do sertão. Além disso ele ameaça não apenas Inácio mas toda a “gente da sua côr”. E as ameaças continuam: <blockquote>''Inácio se tú pretendes'' ''Contra a mim me fazer guerra'' ''Veras eu tirar-te a vida'' ''E jugar no seu cadáver''</blockquote> Apesar disso, na peleja o que importa, mais do que tudo, é a rapidez de pensamento e transformação de pensamentos em poesia. Ali, Romano era só mais um (e convenhamos, não era dos melhores). Inácio responde: <blockquote> ''Eu bem sei q’ seu Romano'' '' Sabe lê, sabe contá'' '' E não é como Inácio'' '' Que não sabe soletra'' '' Mas nasci com dote e sina'' '' Pra muito improvisar''</blockquote> Primeiro que Inácio demonstra entender das desigualdades entre ambos. Escravizados no Brasil não podiam ir à escola e ter acesso à educação formal. Todavia, ele sabe de seu potencial e confia em seu talento. Sobre as ameaças, ele afirma: <blockquote> ''Meu branco, se o senhor diz'' '' Que ainda tem de me açoitar'' '' Deixa de tentação'' '' Creia em deus, cuide em rezar'' '' Eu lhe juro adiantado'' '' Um homem só não me dá''</blockquote> Na peleja, sabendo inclusive dos perigos que alguém como Romano poderia oferecer, Inácio demonstra que não possui medo e que, inclusive, pode revidar qualquer violência. Além disso, Inácio usa a ironia e tom cômico ao demonstrar que acredita na superioridade de Romano, até o chamando de “mestre”: <blockquote>''Até com touro e leão'' ''Seu Romano já brigou'' ''Porém hoje aqui em Patos'' ''Eu ei de mostra quem sou'' ''Quero dá no velho mestre'' ''Que diz que nunca apanhou''</blockquote> Só que, no final, ele subverte sua condição ao afirmar que vai ''bater'' em Romano, simbolicamente, com o seu talento. Essa peleja é importante para mostrar as relações de um determinado contexto, o período da escravidão, através da arte. Desde o período da escravização, as artes e cultura são utilizadas por pessoas negras e africanas como forma de batalha pela vida: humanização, felicidade, agilidade, esperteza e astúcia e tudo que não era associada a esses grupos é trazido em suas poesias, melodias e brincadeiras. Em 2021, o repente é registrado como Patrimônio Cultural do Brasil. <blockquote>'''VOCÊ SABIA:''' O rapper Emicida tem a música Inácio da Catingueira em homenagem ao repentista e peleja citados acima. Nesta entrevista, ele fala sobre suas inspirações para fazer a música: https://www.youtube.com/watch?v=-ljZcpFLCRM&t=3s</blockquote> == '''Fontes''' == Poetas do Repente - E01 - Tecendo o repente (Fundação Joaquim Nabuco): https://www.youtube.com/watch?v=VO2REyqCRK4
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